EURO 2020- Dia 8: Poucos golos e muito por decidir

Jogos mornos, pouca emoção e muito pragmatismo. Fique com o resumo dos jogos do oitavo dia do EURO 2020:

Suécia 1-0 Eslováquia

No primeiro jogo do dia, em São Petersburgo, entraram em campo duas equipas que surpreenderam na primeira jornada com destaque para a equipa eslovaca que, depois de ter ganho à Polónia por 2-1, caso ganhasse hoje garantia o apuramento para os oitavos de final da competição.

Tendo isso em mente, a seleção da Europa Central entrou melhor e dominou a primeira parte, apesar de não ter conseguido construir qualquer jogada de perigo, sobressaindo a falta de um ponta de lança de raiz já que o falso nove, fosse Duda ou Hamsik, muitas vezes aparecia na ala para cruzar para a área onde, depois de um amortecimento no segundo poste, não havia ninguém para finalizar.  Os primeiros 45 minutos de jogo foram assim muito fracos em termos de espetáculo, sem que nenhuma equipa tivesse a criatividade suficiente para assumir o controlo dos acontecimentos, limitando-se a tentar criar perigo através de lances de bola parada.

Na segunda parte, pela primeira vez neste Europeu viu-se rasgos de uma Suécia mais ofensiva e a abandonar um bloco baixo para procurar 3 pontos que deixassem a qualificação para a próxima fase à sua mercê. A primeira grande oportunidade do jogo surgiu aos 57´ quando após um grande cruzamento de Larsson, uma cabeçada de Augustinsson obrigou Martin Dubravka a esticar-se e a fazer uma das melhores defesas desta Euro. Nos quinze minutos seguintes, a equipa sueca continuou a rondar a baliza do guardião do Newcastle mas nem Danielsson primeiro, nem Isak aos 61´ e aos 70´ conseguiram inaugurar o marcador. O jogador da Real Sociedad foi a figura da partida, aproveitando a sua capacidade de drible e pendor físico para levar a equipa para a frente, juntamente com Emil Forsberg,  estando os dois na maioria de jogadas de perigo da seleção nórdica.

Exemplo disso mesmo é o lance que decidiu a partida: aos 75´ os dois jogadores combinaram em espaço curto para depois o jovem de 21 anos isolar Robin Quaison que, com um pequeno toque, afastou a bola de Dubravka, sendo depois derrubado pelo mesmo dentro da área, tendo sido assinalada grande penalidade. Chamado a marcar, Forsberg não tremeu e colocou a Suécia em vantagem a 13 minutos do fim da partida, sendo que o resultado não sofreu mais qualquer alteração até ao fim da mesma. Com esta vitória os nórdicos saltam para primeiro lugar do grupo E com 4 pontos enquanto que a seleção eslovaca fica com 3 pontos no segundo lugar à espera do que Espanha e Polónia vão fazer no outro jogo do grupo, a realizar amanhã em Sevilha.

Alexander Isak, a grande figura do encontro

Croácia 1-1 República Checa

Em Glasgow, defrontaram-se duas equipas com sensações bem diferentes em relação à primeira jornada onde o checos demonstraram sinais bastantes positivos e os croatas, em sinal contrário, se apresentaram uns furos abaixo em relação a competições anteriores. A primeira parte foi taticamente rica mas pobre em oportunidades de golos, com a equipa de Jaroslav Silhavy a entrar com um ligeiro ascendente, explorando as costas dos defesas adversários para lançar rapidamente o ataque, em transições orientadas para os pés de Patrick Schick, que vinha muitas vezes receber na ala.

Já aos 35 minutos, na sequência de um pontapé de canto, numa disputa aérea de bola com Lovren, o jogador de 25 anos caiu na área a sangrar copiosamente do zona nasal e após a consulta do VAR, o árbitro da partida assinalou penalty por considerar que o defesa do Besiktas deu uma cotovelada no avançado do Bayer Leverkusen. Da marca dos 11 metros, Schick não falhou e inaugurou o marcador, saltando também para a liderança da lista dos melhores marcadores deste Euro com 3 golos marcados. No minuto seguinte, imediatamente depois do golo checo, Rebic ficou cara a cara com Vaclik, mas não conseguiu finalizar da melhor maneira e atirou ao lado, desperdiçando a hipótese de empatar a partida.

A equipa croata precisava de reagir rapidamente se ainda quisesse discutir o jogo e consequentemente a qualificação para a próxima fase e logo aos dois minutos da segunda parte, Ivan Perisic aproveitou a marcação rápida de um livre para galgar metros na ala esquerda, cortar para o meio, e desferir um remate ao ângulo para empatar a partida. Apesar do golo sofrido, os checos não perderam a cabeça e reagruparam-se, continuando a ter maioritariamente o controlo do jogo, que passava em todas as ocasiões pelos pés de Soucek, numa fase inicial da construção, e por Jantko numa zona mais adiantada do terreno. Com as alterações de Zlatko Dalic, a Croácia conseguiu abrir o jogo, aproveitando o espaço livre, causado pelo adiantamento do adversário, para iniciar contra-ataques venenosos, como aos 73´, quando Vlasic, recém-entrado, não conseguiu finalizar com sucesso uma transição rápida comandada por Perisic.

Num jogo muito físico, nos últimos minutos viu-se as duas equipas à procura da vitória com ataques perigosos para cada lado mas o resultado não sofreu mais alterações até ao final da partida. Com este empate, a equipa dos balcãs conquista assim o primeiro ponto no torneio, já os checos somam agora quatro pontos e estão mais perto dos oitavos de final do Euro 2020.

O golo do empate croata

Inglaterra 0-0 Escócia

Uma vitória garantia a passagem aos ingleses mas os vizinhos britânicos apresentaram-se com um onze bastante diferente daquele que foi derrotado em casa pela República Checa, entrando nomes como Che Adams ou Kieran Tierney que ajudaram a aumentar o ritmo e o compromisso ofensivo da equipa escocesa. Logo aos 3´, o avançado do Southampton apareceu sozinho na área mas o seu remate foi bloqueado por John Stones que, passados 10 minutos teve a melhor ocasião da partida quando, após um pontapé de canto, foi ao quinto andar cabecear ao poste da baliza defendida por David Marshall.

A primeira parte foi agradável com as duas equipas a privilegiar o ataque, em especial a Escócia que apostou na deslocação de Che Adams para ala com Dykes a ficar como ponta de lança mais fixo enquanto que a seleção da casa aproveitava o espaço deixado entre setores pelo adversário nas suas transições ofensivas, recuperando rapidamente a bola de forma a colocá-la rapidamente em Sterling, Mount e Foden, jogadores com uma grande liberdade posicional ao longo do encontro. À meia hora de jogo, O´Donnel respondeu a um cruzamento de Robertson com um remate cruzado que obrigou Pickford a fazer um último esforço antes do intervalo para trancar a sua baliza, ainda inviolada neste torneio.

No segundo tempo mais do mesmo, com a equipa dos three lions a entrar com sinal mais, sendo que aos 47´ Mason Mount aqueceu as mãos a Marshall naquela que foi a única vez que vimos os jogadores ingleses a conseguirem arranjar espaço entrelinhas para rematar ou isolar Kane, que foi muito mal servido durante todo o jogo. Mérito para a defesa escocesa que realizou uma partida imperial, começando a defender com uma pressão sufocante que evitava uma saída limpa a jogar do adversário. No plano ofensivo, aos 61´, Dykes esteve muito perto de concretizar a surpresa total, mas o seu remate em volley foi intercetado por Reece James em cima da linha, já com Pickford batido.

O ponto menos positivo deste jogo foi mesmo a postura do selecionador Gareth Southgate tanto na escolha do onze inicial, deixando Sancho, Rashford e Grealish no banco de suplentes, como nas alterações efetuadas no decorrer do encontro, que foram muito conservadoras e que transpareceram uma leitura desvirtuada dos acontecimentos. O empate foi então o resultado final e deixa a Inglaterra empatada com 4 pontos com a República Checa enquanto que a Escócia, com apenas um ponto, fica à espera de um milagre na última jornada para ainda poder passar à próxima fase.

 

Fonte das imagens: Twitter oficial @EURO 2020