EURO 2020 – Dia 9: Vida complica-se para Portugal e Espanha

As atenções de hoje estavam viradas para o Grupo F, com especial destaque para o jogo do “tudo ou nada” para a Alemanha, que defrontou uma equipa portuguesa que podia ter selado a passagem aos oitavos, mas mostrou muita apatia e poucos argumentos para ultrapassar Low e companhia. Empate entre Hungria e França ajudou a baralhar ainda mais as contas, num dia onde a Espanha se voltou a atrasar na corrida aos oitavos de final do Euro 2020.

Hungria 1-1 França

Depois de um curto triunfo frente à Alemanha (1-0), a França apresentou-se em Budapeste ciente de que só a vitória servia para as pretensões de um primeiro lugar no Grupo F. Repetindo o 11 que entrou em campo frente à Die Mannschaft, os gauleses desde cedo agarraram as rédeas da partida e partiram para cima dos anfitriões, com Benzema, aos 13´, a ser o primeiro a abrir as hostilidades com um remate à entrada da área, defendido por Gulácsi, que ainda impediu a recarga de Griezmann. A primeira parte acabou por ser caraterizada por um festival ofensivo da França, que pecou por perdulário, com Mbappé, aos 16´ de cabeça, e Benzema, aos 30´, a desperdiçarem ocasiões clamorosas de golo. Já diz a expressão popular que, quem não marca sofre, e assim foi, com Fiola, ao cair do pano do intervalo, a castigar os campeões do Mundo com uma corrida desenfreada pelo flanco esquerdo que deixou Pavard e Varane para trás e terminou com um surpreendente golo que pôs a turma húngara na dianteira do encontro.

A França tinha de fazer pela vida no segundo tempo e, com uma Hungria totalmente encostada na defesa, a pressão recaía no ataque para conseguir evitar um percalço nas contas gaulesas. Deschamps lançou mais achas à fogueira com a entrada de Ousmane Dembélé e o extremo do Barcelona não demorou muito para pôr mãos à obra, assustando Gulácsi com um remate dentro da sua área, defendido pelo poste. Aos 66´, lá chegou o momento pelo qual os adeptos franceses tanto suspiravam, com Mbappé, pela direita, a lançar uma bola pobremente aliviada pelo central Orbán que sobrou para Griezmann, que aproveitou a ocasião para repôr a igualdade na partida. A defensiva húngara não mais vacilou, ficando a divisão de pontos selada em Budapeste, num resultado que serve para a França se manter na liderança do Grupo F, com quatro pontos, mais um do que Alemanha e Portugal, mas que ainda deixa tudo em aberto no que toca às contas finais do conjunto.

Fonte da imagem: Twitter @MLSZhivatalos

Portugal 2-4 Alemanha

Naquele que foi o jogo de cartaz do dia de hoje, Portugal deixou a desejar frente a uma Alemanha que se apresentou em campo pressionada pelo desaire sofrido frente à França (1-0) na jornada anterior. Os alemães entraram muito pressionantes e desde cedo partiram para cima dos portugueses em ataque organizado, com um golo anulado por fora de jogo, aos cinco minutos, a ser o espelho do que seria a postura germânica na partida. Portugal, por outro lado, mostrava-se apático mas até foi quem desfez o nulo, aos 15´, com Ronaldo a concluir uma jogada de contra-ataque. Bernardo Silva encontrou Jota com um grande passe que o extremo do Liverpool agradeceu com um serviço imaculado para o capitão, que passou a estar a dois golos de igualar Ali Daei e juntou-se a Patrick Schick no topo da lista de melhores marcadores do Europeu, com três tentos apontados. Os sorrisos lusos, porém, foram sol de pouca dura, já que o desastre ainda estaria para vir no primeiro tempo, com auto-golos de Rubén Dias, ao tentar evitar o golo de Havertz aos 35´, e de Raphael Guerreiro, aos 39´, ao tentar desviar uma assistência de Kimmich.

As entradas de Renato Sanches e Rafa Silva pouco fizeram para diminuir a gritante apatia da equipa de Fernando Santos, pouco pressionante e demasiado permissiva em relação à troca de bola da Alemanha, que aos 51´, ampliou a sua vantagem por intermédio de Kai Havertz, que servido por um Gosens completamente à vontade do lado direito luso, também inscreveu o seu nome na lista de marcadores. O desapoio aos alas portugueses no momento defensivo haveria de custar ainda mais caro a Portugal, com Gosens, aos 60´, a fixar números de goleada após um cruzamento de Kimmich. A resposta de Portugal demorou a chegar e pecou por curta, com, aos 67´, o recém-entrado João Moutinho a bater um livre para os pés de Ronaldo, que conseguiu, em esforço, assistir Diogo Jota para o 2-4. Um resultado que haveria de permanecer até ao final, com apenas uma bomba de Renato Sanches que embateu no poste alemão a ser o único momento em que Fernando Santos e companhia ameaçaram um desfecho diferente para o encontro. Com a vitória, a Alemanha sobe para o segundo lugar do Grupo F, em igualdade pontual com Portugal, que precisa de, pelo menos, um empate diante da França para evitar complicadas contas na calculadora.

Fonte da imagem: Twitter @ofutmundo

Espanha 1-1 Polónia

A fechar o dia, uma pressionada Espanha voltou a falhar o encontro das vitórias frente à Polónia de Paulo Sousa. Com o seu habitual jogo de posse, a Espanha começou logo a apontar para a baliza adversária, tendo apenas em vista um triunfo que catapultasse os nuestros hermanos para liderança partilhada do Grupo E com a Suécia, mas até foi a Polónia a ameaçar o primeiro golo, com Klich a rematar de longe e com perigo aos seis minutos. Morata, alvo de bastantes críticas após o nulo frente à Suécia, conseguiu desviar um remate de Moreno, aos 25´ e inaugurar o marcador para a sua nação, um momento bonito para o avançado da Juventus, que fez questão de correr até ao seu banco e abraçar o seu selecionador, em gesto de agradecimento pelo voto de confiança depositado nele. Ainda antes do intervalo, a resposta polaca esteve perto de silenciar o Estádio La Cartuja, em Sevilha, mas Lewandowski foi travado por Unai Simón, imperial na baliza.

Regressado da pausa, o goleador do Bayern de Munique não esperou muito para disputar um novo duelo com o guardião espanhol, desta vez ganho por si, através de um cabeceamento para golo após ter ganho posição a Laporte. Quatro minutos depois, um penálti assinalado a favor dos espanhóis foi uma oportunidade de ouro para a Espanha regressar à dianteira do encontro, mas Moreno acertou no poste a partir da marca dos 11 metros e Morata foi infeliz na recarga. A Espanha bem foi tentando agarrar a todo o custo os três pontos, mas Szczesny fechou a sua baliza a sete chaves e garantiu a divisão de pontos, que acaba por não servir os interesses de nenhum dos conjuntos. A Espanha mantém-se assim em terceiro lugar no Grupo E, com dois pontos somados, e terá que vencer a Eslováquia na derradeira jornada para sair da sua atual posição e evitar contas difíceis. Já a Polónia também permanece no fundo da tabela, com apenas um ponto somado e vida complicada para conseguir passar à próxima fase do Euro 2020.

Fonte da imagem: Twitter @SeFutbol

Fonte da imagem de capa: Twitter @selecaoportugal

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.