Crónica: Habemus Terceiro Lugar (outra vez)

Num jogo de loucos em Budapeste, a Seleção Nacional empata a dois golos com a França garante o terceiro lugar do grupo (graças ao outro resultado do grupo) e tem o caminho traçado para chegar à final.

Numa noite quente na Hungria, com estádio cheio, Fernando Santos e Didier Deschamps optaram por fazer alterações nas suas equipas. O selecionador nacional decidiu mexer no meio campo que tinha jogado nos últimos dois jogos, alinhando com Rui Patrício na baliza; Nélson Semedo, Rúben Dias, Pepe e Raphael Guerreiro na defesa; Danilo, João Moutinho e Renato Sanches no meio campo; e o trio de ataque manteve-se o mesmo: Diogo Jota, Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo.

Já os Campeões do Mundo jogaram com Hugo Lloris, Jules Koundé, Presnel Kimpembe, Raphael Varane, Lucas Hernandez, Corentin Tolisso, Paul Pogba, N’golo Kanté, Kylian Mbappé, Antoine Griezmann e Karim Benzema.

A Seleção conseguiu corrigir parte dos problemas que teve contra a Alemanha, tendo ambos os laterais um pouco mais afastados do corredor central, neutralizando as alas francesas. O maior perigo da Seleção vinha, no entanto, por parte de Renato Sanches. Tal como nos outros dois jogos, o médio do Lille era o pulmão do meio campo português, progredindo a bola no terreno e demonstrando o seu porte físico.

Estava um jogo calmo mas com a Seleção acampada no meio campo adversário, atacando dinamicamente e defendendo em unidade, algo que não tinha acontecido frente à Alemanha. A única forma que a França estava a encontrar para parar os jogadores lusitanos era fazendo faltas, tendo feito 10 na primeira parte.

Aos 30 minutos de jogo, houve um golo. Num cruzamento de bola parada, Danilo foi esbarrado por Hugo Lloris, tendo inclusive de receber assistência médica. O guardião gaulês levou amarelo e a bola foi colocada na marca de grande penalidade. Cristiano Ronaldo, como já é hábito, converteu-a, marcando o seu quarto golo na competição.

Mesmo depois do golo, a Seleção continuou por cima, tentando marcar novamente, merecendo chegar ao intervalo em vantagem. No entanto, numa decisão pouco consensual, Mateu Lahoz apontou novamente para a marca dos 11 metros, mas desta vez, a favor dos gauleses. No seu regresso à seleção francesa, Karim Benzema marca novamente.

O jogo estava empatado, e o jogo que estava a acontecer em Munique jogava a favor das contas portuguesas, mas que podiam rapidamente mudar, caso algo acontecesse em qualquer um dos jogos.

No regresso dos balneários, Danilo foi substituído por João Palhinha. O médio do Sporting fez assim os seus primeiros minutos em jogos oficiais pela Seleção.

Mas esta não prometia ser uma noite calma para os corações portugueses. Aos 48 minutos, após um passe de Pogba a romper as linhas portuguesas, Benzema voltaria a marcar, oferecendo novamente a vantagem à França. Neste momento, Portugal estava fora do Europeu.

Ora, a Alemanha não fazia a sua parte, portanto a Seleção precisava de um herói. Eis que surge (para variar) Cristiano Ronaldo. O capitão nacional leva a bola à linha de fundo e, numa tentativa de cruzamento, acertou num braço francês, conquistando mais uma grande penalidade para os lusitanos. Seria mesmo o avançado da Juventus a bater a grande penalidade e a igualar o recorde de Ali Daei (109 golos ao serviço da seleção). Desta forma, Portugal estava novamente no Europeu, independentemente do resultado do outro jogo. 

Mas o sofrimento não iria terminar tão rapidamente, com (São) Patrício a assumir o papel de milagreiro e a fazer uma dupla defesa que irá ser, seguramente, uma das melhores do Europeu inteiro.

A Alemanha chegou a empatar, voltou a sofrer e aos 84 minutos voltou a empatar a partida. Desta forma, tanto a Alemanha, como Portugal e França garantiam a passagem à próxima ronda: A França em primeiro, a Alemanha em segundo lugar (graças à vantagem no confronto direto) e Portugal em terceiro (outra vez).

O futebol demonstrou porque é que é o desporto mais visto do mundo, levando portugueses, alemães e húngaros às lágrimas (ou quase lá), várias vezes durante 90 minutos.

Após passar em terceiro lugar, Portugal irá defrontar a Bélgica na próxima ronda, colocando-se no “lado” mais difícil do torneio. Caso vença frente aos Belgas, a equipa de Fernando Santos irá defrontar o vencedor do jogo entre a Itália e a Áustria e, caso vença esse jogo, irá defrontar nas meias-finais um de França, Suíça, Espanha ou Croácia.

 

Imagem: Twitter @selecaoportugal