EURO 2020 – Dia 13: contas feitas, venha o “mata-mata”

Um último dia da fase de grupos carregadinho de emoção até ao último fôlego, com as equipas dos dois últimos grupos a disputar as restantes vagas para a primeira ronda a eliminar deste Campeonato Europeu.

Suécia 3-2 Polónia

Após um empate “arrancado a ferros” diante de Espanha e de uma vitória pela margem mínima frente à Eslováquia, a Suécia terminava a sua prestação na fase de grupos com a Polónia, comandada pelo português Paulo Sousa. O palco foi a já habitual Zenit Arena, em São Petersburgo.

Os polacos precisavam urgentemente de pontos, pelo que a previsão de uma equipa muito atacante fez-se cumprir. Contudo, foram os nórdicos a adiantar-se no marcador, logo ao segundo minuto de jogo. Tratou-se, de resto, da única ocasião de perigo iminente por parte da Suécia em toda a primeira parte, com a Polónia a assumir as rédeas do jogo, mas com pouco acerto na finalização, ora para fora, ora com a trave, ora com Olsen a bloquear o caminho, sendo que o guarda-redes sueco apenas foi chamado ao serviço por uma vez, com uma belíssima intervenção.

O mister viseense não tardou em mexer as peças, fazendo entrar o médio Frankowski pelo defesa Puchacz, logo ao intervalo. Ironicamente, porém, foram os suecos a atirar novo balde de água fria sobre o adversário, dilatando a vantagem em menos de 15 minutos. A resposta, ainda assim, não se fez tardar, com Lewandowski a converter em golo um remate de fazer levantar o estádio, praticamente logo de seguida. Quatro minutos depois, ainda ameaçaram o empate, com nova bola no fundo das redes, mas o lance acabou invalidado.

Uma segunda parte “de loucos”, com mais de uma dezena de oportunidades para cada lado, mas foi já perto do final que tudo se sentenciou, primeiro com o suspeito do costume, Lewandowski, a igualar a partida, a seis minutos do fim, mas depois com a Suécia a matar de vez a esperança polaca, ao recuperar a vantagem, no penúltimo minuto dos descontos, e o marcador não mexeu mais.

Os escandinavos avançam para os oitavos como líderes inesperados do grupo, enquanto a Polónia está de malas feitas e regressa agora a casa, com apenas um ponto, que lhes valeu o quarto e último lugar.

Espanha 5-0 Eslováquia

A encerrar as hostilidades do grupo E, Espanha recebeu em Sevilha a Eslováquia, numa tentativa de roubar o segundo lugar a Tarkovic e companhia.

O encontro começou animado, com nuestros hermanos a conquistar um penálti logo ao décimo minuto. Contudo, e fazendo jus ao que tem vindo a ser tradição neste europeu, não conseguiram converter o castigo máximo, permitindo a defesa a Dubravka que, de resto, veio a ser chamado ao serviço por diversas vezes, numa primeira metade em que a Eslováquia nem cheirou as redes adversárias. O momento da primeira parte, porém, foi novamente assinado pelo guardião eslovaco, mas desta vez com um erro clamoroso, causando um autogolo e permitindo a vantagem espanhola à passagem da meia hora de jogo, mais tarde dilatada por Laporte, já nos descontos, que se estreou a marcar ao serviço de La Roja.

A segunda parte trouxe um pouco mais da Eslováquia, mas nem por isso mais equilíbrio. Apesar das entradas do avançado Duris e do médio Lobotka, Espanha não tirou o pé do acelerador e chegou mesmo ao terceiro golo, desta vez por Sarabia, estando corridos 56 minutos. Rapidamente surgiu o quarto, com uma finalização soberba de Ferran Torres. Já o quinto deriva de uma jogada de insistência dentro de área, que acaba com um desvio infeliz de Kucka para a própria baliza, somando outro aos já muitos autogolos deste europeu.

Contas feitas, Espanha recupera o segundo posto, seguindo em frente para os oitavos de final. Já a Eslováquia, apesar de fechar o pódio, acaba por ser o pior dos terceiros classificados, ficando mesmo pelo caminho.

Alemanha 2-2 Hungria

Alemanha e Hungria partiam ambas para a última jornada a precisar de pontuar, sobretudo os magiares, que procuravam fugir ao fundo da tabela. Uma deslocação difícil a Munique, sendo preciso recuar a 1954 (!) para encontrar a última vitória húngara diante da Mannschaft, em jogos oficiais (por uns estrondosos 8-3, refira-se).

Foi mesmo a Hungria a abrir o ativo, logo aos 11 minutos. Seguiu-se, naturalmente, o aperto alemão, com Gulácsi a responder à altura nas duas vezes em que a bola se dirigiu à sua baliza. Uma Alemanha, de resto, muito rematadora, mas pouco eficaz.

A segunda parte manteve-se, praticamente, de sentido único e os comandados de Joachim Löw conseguem mesmo o empate, aos 66 minutos, após uma saída em falso do guardião húngaro. No entanto, os visitantes conseguem recuperar a vantagem logo de seguida, por Schafer. Parecia que tudo se encaminhava para novo “milagre” da Hungria, mas a insistência alemã acaba mesmo por compensar, com Goretzka a restabelecer a igualdade, já dentro dos últimos dez minutos regulamentares.

O jogo, essencialmente, pode ser resumido a um autêntico “massacre” alemão perante uma eficácia inesperada da Hungria, convertendo em golo metade das oportunidades que dispôs. Ainda assim, acabou por não ser suficiente, com os húngaros a despedir-se desta edição do campeonato da Europa. Os alemães, por sua vez, alcançam o segundo lugar e continuam na corrida.

França 2-2 Portugal

E que melhor maneira de encerrar a fase de grupos que com uma autêntica reedição da final de 2016? França partia descansada para este jogo, com o apuramento praticamente garantido. Já Portugal, como manda a tradição, apesar de depender apenas de si mesmo, precisou de recorrer à calculadora para desvendar o caminho dos oitavos.

Numa partida recheada de oportunidades de parte a parte, o primeiro tempo, fora uma boa intervenção de Patrício, pode ser resumida, essencialmente, a duas grandes penalidades, uma para cada lado, com Ronaldo a adiantar Portugal à meia hora de jogo e Benzema, já nos descontos (e com algumas dúvidas no lance que origina a falta) a igualar para os gauleses.

A segunda parte trouxe mexidas, com Hernandez a dar o lugar a Digne e Palhinha a render Danilo. Os franceses conseguem mesmo dar a volta, novamente por Benzema, mas desta vez com assistência de Pogba. Porém, contra o sentido do jogo, a armada lusitana consegue recuperar a igualdade e novamente pelo capitão, Ronaldo, a assumir a conversão de novo castigo máximo e cimentando-se como melhor marcador da prova, até ao momento.

Até final, tirando outras duas intervenções de Patrício que valeram por golos, o marcador não mais mexeu. Portugal repete a “saga” do terceiro lugar, ainda que desta vez como o melhor dos quatro, enquanto França cimenta a liderança no grupo, avançando com relativa tranquilidade para os oitavos de final.

 

Está, então, encerrada a fase de grupos. Que venha o “mata-mata”!

 

Imagem: Seleções de Portugal (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.