A dança das cadeiras no topo do futebol europeu

A paragem para as seleções e as emoções vividas com competições como o Euro ou a Copa América desviaram o foco dos adeptos do futebol dos clubes e do mercado de transferências. Porém, nas últimas semanas foram várias as trocas de treinadores nos principais clubes do futebol europeu que merecem ser relevadas.

Alemanha

A troca de treinadores na Alemanha deu-se ainda antes do término da temporada e foi um dos fatores que influenciou a emocionante disputa por lugares europeus.

Ainda em fevereiro, o Borussia Dortmund anunciou que Marco Rose, à data treinador do Borussia Monchengladbach, seria o treinador do clube na temporada 2021/2022. O anúncio não caiu bem entre os jogadores do Gladbach, o rendimento baixou e o clube que se encontrava em sétimo lugar, mas apenas a seis pontos do quarto, entrou numa seca de resultados: nos sete jogos que se seguiram ao anúncio da saída de Rose no fim da temporada, o clube saiu derrotado por sete vezes. O oitavo lugar na Bundesliga não garantiu ao Borussia competições europeias e na próxima semana o clube alemão disputará apenas competições domésticas. Em abril o Monchengladbach anunciou o substituto de Rose: Adi Hutter, treinador que fazia uma grande temporada ao serviço do Eintracht Frankfurt.

Em abril, quando é anunciada a saída de Hutter no fim da temporada, o Eintracht encontrava-se no melhor momento da época. Em 2021 ainda só tinha perdido uma vez, e a seis jornadas do fim ocupava o quarto lugar com mais sete pontos que o Borussia Dortmund. A Liga dos Campeões parecia encaminhada, mas o anúncio da saída de Hutter levou à quebra de rendimento. Em seis jogos, o Eintracht apenas ganhou dois e foi goleado pelo novo clube de Hutter. Novamente o anúncio precoce da troca de treinador ao fim da temporada, provocou uma quebra de rendimento. Entretanto, Glasner que levou o Wolfsburg à Liga dos Campeões, já foi oficializado como o novo técnico do clube da cidade de Frankfurt.

Fonte da imagem: Instagram @eintrachtfrankfurt

A saída de Glasner, após uma grande temporada onde, fazendo da estabilidade defensiva a principal arma, conseguiu competir e garantir a entrada na competição milionária, levou o Wolfsburg à procura de novo treinador. Marc Van Bommel, após um ano de pausa depois de deixar o PSV foi o escolhido para orientar o clube alemão.

Os três principais clubes alemães no panorama internacional mais recente também terão um novo técnico no banco. O Bayern de Munique viu Hansi Flick, que tomará conta dos destinos da seleção alemã após o Euro 2020, sair em divergência com a direção dos bávaros. Para o seu lugar foi contratado aquele que é porventura o treinador mais promissor do futebol: Julian Naggelsman. Embora não haja confirmação oficial do valor, as especulações apontam para cerca de 25 milhões de euros, o maior valor alguma vez gasto na compra de um treinador que se destaca pela diversidade tática que consegue aplicar nas suas equipas, sempre a um alto nível. Para substituir Naggelsman, o Leipzig “promoveu” Jess March que abandonou o comando técnico do RB Salzburg para se juntar ao expoente máximo do império da Red Bull. Como já referido, também o Dortmund trocou de técnico. Rose chegou para o lugar de Terzic que ainda se encontra livre no mercado.

Ainda nos principais clubes alemães, é também importante destacar a saída de Hannes Wolf (interino após a saída de Bosz) do Bayer Leverkusen. A escolha do novo treinador do Bayer foi Gerard Seoane suíço que levou o Youn Boys à hegemonia nacional e que tem assim o primeiro desafio no estrangeiro enquanto técnico.

Nos oito clubes melhor classificados apenas o Union Berlin que jogará a Conference League na próxima temporada manteve o treinador. Após garantir a subida ao principal escalão, Urs Fischer será também encarregue de liderar os alemães na primeira aventura pelas competições europeias da história do clube de Berlim.

Itália

Tal como na Alemanha, também o mercado dos treinadores em Itália andou bastante movimentado. Nos oito primeiros classificados na época transata apenas dois vão começar a nova temporada na mesma equipa, sendo este mais um fator que promete (mais uma) Serie A de grande nível.

Antonio Conte após vencer a liga saiu do Inter de Milão. Embora o trabalho do italiano estivesse ainda numa fase inicial, as dificuldades económicas do clube italiano obrigado a fazer pelo menos 80 milhões de euros este verão (Hakimi é o principal candidato à saída) levaram à saída de Conte que já anunciou que tirará um ano sabático. Para o seu lugar já foi oficializada a contratação de Simone Inzaghi que deixa a Lazio. A escolha do treinador, que apesar de algumas diferenças apresentou um estilo de jogo na Lazio com bastantes semelhanças ao de Conte no Inter, revela a procura de uma certa continuidade no rumo tático do Inter.

Pelo contrário, a contratação de Sarri pela Lazio promete uma revolução na maneira do clube jogar. De uma abordagem mais pragmática, da procura da velocidade vertiginosa e de um sistema com três centrais, a Lazio passará muito provavelmente a procurar o controlo do jogo, a privilegiar a posse e a apresentar-se num sistema com uma defesa com apenas dois centrais que permita destacar um regista que temporize e direcione a construção (como era Jorginho no Nápoles de Sarri). A Lazio, que promoveu assim o regresso de Sarri, será assim sem dúvida uma das equipas mais interessantes a acompanhar no futebol italiano na próxima temporada.

Fonte da imagem: Instagram @official_sslazio

A outra equipa da capital italiana também trocou de treinador. A Paulo Fonseca sucedeu José Mourinho que regressa a Itália após alguns trabalhos de menor nível, mas com a lembrança do Inter que conquistou a Tríplice Coroa na mente dos adeptos romanos. Com o intuito de voltar a colocar a Roma na rota da presença assídua na Liga dos Campeões, o treinador português deverá apostar forte em contratações no mercado de verão.

A Juventus foi outro clube que trocou de treinador. Pirlo não resistiu aos maus resultados que quase levaram o clube de Turim a falhar a qualificação para a Liga dos Campeões da próxima temporada e foi substituído por Massimiliano Allegri. É assim um regresso a casa por parte do treinador que comandou a Juventus entre 2014 e 2019. Alguns membros da direção com quem tinha entrado em conflitos que levaram à saída já não se encontram no clube italiano, o que ajuda a explicar o retorno de Allegri ao clube onde foi mais bem sucedido enquanto treinador.

O Nápoles também não passou imune à troca de treinadores e anunciou Spalleti como o novo treinador napolitano. O italiano veio do Zenit para substituir Gattuso que na última jornada da época perdeu o quarto lugar e, consequentemente o acesso à Liga dos Campeões da próxima temporada.

Gattuso foi posteriormente anunciado pela Fiorentina como novo treinador do clube. No entanto, volvidos apenas 23 dias, o treinador saiu do clube. Em causa esteve o desentendimento entre Joe Barone, o diretor-geral da Fiorentina e Jorge Mendes, empresário de Gattuso e de alguns jogadores pretendidos pelo clube italiano como Sérgio Oliveira ou Gonçalo Guedes. Ainda não foi definido o novo treinador da Fiorentina que tem Paulo Fonseca, entre outros nomes, em cima da mesa.

Ainda em território transalpino, é importante destacar a saída de De Zerbi do Sassuolo. O técnico, agora do Shakthar Donetsk, foi o maior responsável pelo futebol atrativo do clube italiano, baseado no controlo da posse de bola para atrair o adversário e posteriormente aproveitar o espaço entre linhas. Tal modelo foi exponenciado por jogadores com Locatelli ou Berardi e é uma das bases do futebol jogado pela seleção italiana.

Espanha

Em solo espanhol as mudanças nos clubes apresentam dois motivos principais: a baixa de rendimento ou o encerramento de ciclos.

A primeira deu-se nos três clubes que desceram de divisão – Huesca, Valladolid e Eibar – mas também em clubes capazes de maiores voos como o Getafe ou o Valencia (muito por culpa da gestão danosa de Peter Lim) que fizeram, no entanto, épocas abaixo do esperado.

Já Granada e Real Madrid encerraram ciclos. Diego Martinéz abandonou o clube andaluz após um trabalho notável ao longo de três anos em que levou o clube da segunda divisão espanhola à Liga Europa e deu lugar a Robert Moreno.

Já Zidane encerrou o seu segundo ciclo (este menos vitorioso) nos merengues. Ainda que não tenha tido alcançado tantos troféus como na primeira passagem, é importante analisar esta segunda passagem também de uma forma não resultadista. Foi uma passagem na qual Zidane mostrou maior flexibilidade tática (ainda que nem sempre correta) para responder às virtudes dos adversários, o que contribuiu para o seu desenvolvimento como treinador. Encontra-se agora livre no mercado, tendo para o seu lugar sido escolhido Carlo Ancelotti. Florentino Peréz aposta assim em mais um regresso a casa de um treinador com um perfil menos rígido que facilita a integração de todos os jogadores. Ancelotti não tem uma missão fácil e além de lhe ser exigida a reconquista da Liga Espanhola e dos Campeões, há outras questões que se afiguram sobre o seu trabalho. Como lidará com a saída de Sergio Ramos, capitão e líder da defesa dos merengues? Que papel terão jogadores como Bale, Isco ou Odegaard, à partida rejeitados por Zidane mas com qualidade para compor elenco (uma questão à qual o técnico francês não soube responder, especialmente tendo em conta os vários lesionados no departamento médico ao longo da temporada)? Como gerirá taticamente e emocionalmente um elenco recheado de craques consagrados, mas ao mesmo tempo continuando a renovação e a aposta em jovens? São tudo interrogamentos que serão feitos a Ancelotti no seu regresso a Madrid.

Fonte da imagem: Instagram @realmadrid

Inglaterra

Em terras de sua majestade também foram alguns os clubes que trocaram de técnico.

O Tottenham Hotspur que viu Ryan Mason assumir de forma interina o clube após a saída de Mourinho a meio da temporada continua a procura por novo treinador. Conte foi um dos nomes fortes a estar em cima da mesa, mas as exigências do italiano impediram as conversas de continuar. Paulo Fonseca esteve a horas de assinar pelos Spurs mas problemas financeiras relacionadas com os impostos do português em Itália abortaram o negócio. Gattuso também teve perto de assinar pelo Tottenham, mas o negócio também não seguiu em frente. Atualmente o clube londrino ainda não apresentou treinador, mas as mais recentes notícias apontam Nuno Espírito Santo como favorito.

O técnico português abandonou o Wolverhampton, clube que representou entre 2017 e 2021, mas a legião portuguesa no Molineux continuou bem presente visto que Bruno Lage já foi confirmado como novo treinador dos lobos. O técnico português que conquistou a Liga Portuguesa com uma grande campanha ao serviço do Benfica em 2019, tem assim a primeira experiência como treinador principal no estrangeiro.

Fonte da imagem: Instagram @wolves

Ainda em Inglaterra também o Everton – que viu Ancelloti assinar pelo Real Madrid – e o Crystal Palace – após a reforma de Roy Hogsson – ainda procuram novo treinador.

França

O final da viagem pelo futebol europeu termina em França. O futebol francês viveu uma temporada conturbada fora do relvado à custa dos direitos de transmissão, mas dentro destes assistiu à surpreendente coroação do Lille como campeão, ultrapassando o milionário PSG na classificação final.

No entanto, o título do campeão deve ter sido o coroar de um projeto que terminou da melhor maneira possível e com rumo indefinido. Adquirido por um novo proprietário – o Merlyn Partners SCSp – é ainda incerto o futuro do clube, como será gerido e se o investimento na compra de jovens para aproveitamento e posteriormente revenda será mantido. Luís Campos, diretor-geral, já abandonou o clube assim como Christophe Galtier, técnico que liderou o Lille nos últimos anos.

O Nice, clube que desde a saída de Adrian Ursea no fim da temporada, parece ser o destino mais provável para o técnico francês que quererá começar um novo projeto semelhante ao que desenvolveu no Lille.

Por fim também o Lyon terá um novo nome a orientar a equipa. Rudi Garcia após falhar o apuramento para a Liga dos Campeõe pelo segundo ano consecutivo abandonou o Lyon, tendo sido substituído por Peter Bosz. Após três anos no Bayer Leverkusen o técnico neerlandês orientará o clube gaulês nas duas próximas temporadas

Fonte da imagem: Instagram @ol

Foi (e ainda é) um mercado bastante agitado em relação aos treinadores. Após o término das competições internacionais deverá também ser um mercado agitado, no qual os treinadores deverão procurar os melhores jogadores para executar os seus planos de jogo.

 

Fonte da imagem de capa: trivela.com