EURO 2020 – Dia 14: oitavos abrem com apuramento da Dinamarca e da Itália

No primeiro dia a eliminar, Dinamarca e Itália eliminaram País de Gales e Áustria e foram as primeiras seleções apuradas para o EURO 2020.

País de Gales 0 – 4 Dinamarca

O primeiro jogo do dia jogou-se em Amesterdão. Na Johan Cruijff Arena País de Gales, terceiro classificado do grupo A, defrontou a Dinamarca que na última jornada garantiu o segundo posto no grupo B.

A seleção nórdica entrou em campo com duas alterações face à equipa mais utilizada. Poulsen, a contas com uma lesão, e Wass, com uma constipação, foram as ausências colmatadas por Dolberg e Stryger Larsen. Já a seleção do País de Gales manteve a estrutura tática e os jogadores com quem começou as partidas contra Turquia e Suíça.

Surpreendentemente foi o País de Gales que começou por cima a partida. Quer aproveitando a referência de Kiefer Moore, quer saindo a construir desde trás (importante a ação de Joe Allen na construção) os galeses foram superiores no primeiro quarto de hora. Bale a partir da direita fazia a diagonal para dentro e, aproveitando o espaço deixado pela Dinamarca, ia fazendo estragos através de lançamentos e de remates como é exemplo o que se sucedeu aos nove minutos.

Porém, Hjulmand rapidamente se apercebeu do conforto galês a construir e a defender, muito por culpa das dificuldades dinamarquesas a sair. Hojberg e Delaney encontravam-se bastante afastados dos três homens da frente, e o grande espaço entre os dois setores impedia a progressão. Desmontando a linha de três a defender através da subida no terreno de Christensen, o espaço entre setores diminuiu, Hojberg e Delaney assumiram mais o controlo do jogo (também beneficiados pelos movimentos de Dolberg a descer no terreno para apoiar a construção) e a Dinamarca passou a estar por cima da partida.

A dominar o jogo, foi sem surpresas que aos 27 minutos surgiu o primeiro golo dinamarquês. Grande passe vertical de Maehle, que jogando a partir da esquerda consegue mais facilmente recorrer ao pé direito para construir por dentro, Damsgaard a beneficiar da movimentação de Dolberg a driblar o defesa ganhando espaço para Dolberg que, à entrada da área rematou em arco para um grande golo.

A segunda parte abriu com novo golo de Dolberg após uma oferta de Neco Williams. No início da jogada Stryger Larsen e Hojberg a combinarem, ultrapassando uma primeira fase de pressão. O médio com terreno aberto foi capaz de perceber a desmarcação de Braithwaite que fez uso da principal arma – a velocidade a entrar em diagonal – para galgar metros e colocar a bola na área. Neco Williams cortou a bola para a zona onde estava Dolberg que só teve de a colocar na baliza. O avançado dinamarquês, muito afetado por lesões nos últimos anos que fazem por várias vezes esquecer o enorme potencial outrora demonstrado, bisou assim no coroar de uma boa exibição num regresso a um estádio em que já foi feliz.

À hora de jogo a Dinamarca aproveitou para descansar, regressou ao modelo de três centrais retirando para isso um dos homens da frente e passou a gerir a partida ao seu ritmo. Foram trinta minutos de várias substituições para ambos os lados, e que permitiram ver Cornelius em ação. O possante avançado dinamarquês entrou muito bem na partida, mostrando qualidades não só como referência, mas também na condução de bola em transição rápida.

Até ao fim houve, no entanto, ainda tempo para dois golos. Aos 88, Maehle que fez mais uma grande exibição neste europeu e que, entretanto, já tinha passado para a ala direita recebeu de forma perfeita o passe de Jansen, cortou para dentro e colocou a bola na baliza. Já nos descontos Braithwaite também colocou o nome da lista de marcadores num lance validado pelo VAR após assinalado um fora de jogo. Maehle está novamente na jogada com um grande passe para Cornelius que amorteceu a bola para o jogador do Barcelona. De facto, o clube onde joga não ajuda a uma avaliação correta da qualidade de Braithwaite que vê as suas qualidades serem exponenciadas quando atua pela seleção.

Foi uma vitória dinamarquesa com muita mão de Hjulmand que se apercebeu das lacunas apresentadas e que prontamente alterou o desenho tático da Dinamarca que desfrutou assim de uma vitória fácil sobre o País de Gales que excedeu expectativas, mas que cai nos oitavos de final.

Fonte da imagem: Twitter @mundodabola

Itália 2 – 1 Áustria

O mítico estádio de Wembley assistiu ao confronto entre a sensação Itália e a Áustria que se apresentou na melhor versão.

Mancini após as várias poupanças escalou o onze mais forte com Acerbi e Di Lorenzo a suprirem as ausências dos lesionados Chiellini e Florenzi e com o regresso de Verratti. Já a Áustria apresentou a mesma equipa que derrotara a Ucrânia naquele que foi o melhor jogo austríaco durante a fase de grupos.

O início de jogo da Áustria mostrou uma equipa aguerrida e lutadora, capaz de pressionar alto e de construir o jogo, num estilo de jogo facilmente comparável ao da Bundesliga onde atuam a maioria dos jogadores austríacos. Porém, com o andar da primeira parte a Itália assumiu o controlo da partida. Na estrutura já bem conhecida dos adeptos, com Spinazzola a dar profundidade pela esquerda e com Barella e Berardi em constantes trocas e desdobramentos posicionais na direita, começou a trocar bola com critério e a aproximar-se progressivamente da defensiva austríaca que defendia numa linha de cinco. Importante Foda a perceber a importância de conter Spinazzola e a fazer descer Laimer para a linha defensiva. Grillitsch à frente da defesa tinha o apoio de Schlager, Sabitzer e Baumgartner na difícil tarefa de conter a entrada da área).

Contudo, aos 32 minutos Immobile encontrou espaço à entrada da área e o potente remate acertou em cheio no poste. Ação de tremenda dificuldade, mas que pareceu simples quando executada pelo avançado italiano. É de facto esta uma das características da seleção italiana, que faz as mais complicadas triangulações, combinações, passes e remates parecerem simples (Jorginho é o expoente desta aparente simplicidade).

A segunda parte apresentou, no entanto, um roteiro totalmente diferente. A seleção italiana pecou na decisão e execução, jogadores como Berardi ou Insigne demonstraram bastantes dificuldades em entender as movimentações de Immobile e apresentaram-se uns furos abaixo.

Indiferentes às debilidades italianas, mostradas pela primeira vez no torneio, os jogadores austríacos cresceram, mostraram mais disponibilidade física e dominaram a segunda parte. Aos 65 minutos o VAR anulou a Arnautovic um golo por fora de jogo e apenas quatro minutos depois um possível lance de penalti na área também foi desmontado pelo fora de jogo. O meio-campo e o ataque italianos foram refrescados, mas a Itália foi incapaz de demonstrar o bom futebol que apaixonou os adeptos do futebol. Defensivamente muito coesa com uma bela partida da dupla de centrais (com destaque para Hinteregger), a Áustria apresentava enorme solidariedade em campo que fazia tremer a defensiva italiana.

O golo não chegou e a partida foi para prolongamento. Guiada por Locatelli e Chiesa, a equipa italiana desfazeu o nulo. Aos 94 e após ameaçar, Chiesa marcou mesmo o primeiro golo transalpino, num golo que é o reflexo da Itália. Importante a ação de Locatelli que na linha do meio-campo faz um passe que quebra linhas para Spinazzola, que partindo da esquerda recebe a bola à entrada da área. Após uma rápida inversão para a direita, Chiesa definiu de forma primorosa e o lance só terminou com a bola dentro da baliza. Ainda antes do fim da primeira parte do prolongamento a Itália viria mesmo a aumentar a vantagem. Na sequência de um canto (após uma bela defesa de Bachmann a um livre de Insigne), a bola sobrou para Spinazzola que colocou a bola no corredor esquerdo. Após cruzamento, Acerbi em esforço no solo colocou a bola em Pessina que aumentou a vantagem italiana.

Na segunda parte a Áustria não se resignou, Schaub ameaçou, Sabitzer falhou o remate, mas Kaladzic (que entrara para o lugar de Arnautovic) marcou o primeiro golo sofrido pelos italianos na competição. Schaub bateu o canto e o grande avançado austríaco quase no solo cabeceou a bola para o fundo da baliza. O golo premiou a boa exibição da Áustria e trouxe alguma incerteza até ao final, mas o resultado não voltaria a sofrer alterações.

O apuramento sorriu à Itália num roteiro que não se adivinhava tão complicado. Portugal já sabe também de antemão que, caso elimine a Bélgica defrontará a Itália nos quartos de final.

Fonte da imagem: Twitter @Vivo_Azzurro

 

Fonte da imagem de capa: Twitter @Vivo_Azzurro