EURO 2020 – Dia 16: Suíça choca França e Croácia cai de pé frente a Espanha

Um dia depois de Portugal ter dito adeus ao Europeu 2020, seguiram-se dois grandes jogos de futebol relativos aos oitavos de final da prova. A Espanha teve que muito que suar para levar a Croácia de vencida num autêntico recital de golos (3-5) e a França disse adeus à competição após perder com a Suíça no desempate por grandes penalidades (3-4).

Croácia 3 – 5 Espanha (após prolongamento)

São jogos destes que trazem cor a um Europeu. Croácia e Espanha defrontaram-se hoje em Copenhaga e nem o adepto mais otimista diria que esta partida terminaria com um total de oito golos marcados. A Espanha entrou no jogo igual a si mesma, primando por um estilo pressionante e assente na posse de bola, perante um Croácia que mal conseguia respirar. Após Koke e Morata desperdiçarem oportunidades claras para inaugurar o marcador, foi com grande choque que quem assistia à partida reagiu ao autogolo cometido por Unai Simón, aos 20 minutos. Ao falhar uma simples receção de bola, o guarda-redes do Athletic Bilbao acabou por deixar que a bola entrasse na sua baliza, num momento caricato e que surpreendeu até os croatas, que passaram a galvanizar-se com a sua inesperada vantagem. Ainda assim, Sarabia, aos 38´, conseguiu repôr a igualdade no marcador antes do intervalo. Pouco depois da pausa, aos 57´, Azpilicueta consumou a reviravolta no marcador de cabeça, após um cruzamento bem medido de Ferrán Torres.

O extremo do Manchester City estava endiabrado e foi ainda a tempo de, aos 77´, fixar o 1-3 no marcador, partindo em velocidade e deixando o lateral croata Gvardiol a fazer má figura devido à sua fraca capacidade para apanhar o seu adversário. Estando a Croácia a perder por dois golos a cinco minutos do final, seriam muitos poucos os adeptos que acreditavam na passagem do seu país, mas a verdade é que o difícil de acreditar aconteceu, graças à inabalável garra croata. Orsic e Pasalic vestiram ambos as capas de heróis, com o primeiro, aos 85´, a ser servido com a classe usual de Modric para o 2-3 e o segundo a fixar o empate, de cabeça, aos 90+2´.

Chegado o prolongamento, a Espanha superiorizou-se pela sua maior capacidade física, não existindo garra croata suficiente no mundo para contrariar a qualidade dos nuestros hermanos. Kramaric ainda ameaçou o final perfeito para o conto de fadas croata, obrigando Simón a uma grande defesa, mas Morata (100´) e Oyarzabal (103´) tiveram um desfecho mais sorridente nos seus lances de golo, curiosamente ambos assistidos por Dani Olmo, o único jogador espanhol a atuar no campeonato croata. Um jogo impróprio para cardíacos e que deixa a Espanha nos quartos de final do Euro, onde irá defrontar o carrasco da França na competição, a Suíça.

Fonte da imagem: Twitter @AllOverFootbal1

França 3-4 Suíça (após grandes penalidades)

Se o Croácia – Espanha já tinha sido uma autêntica montanha russa de emoções repleta de golos, o França – Suíça em pouco lhe ficou atrás. Seferovic, aos 15´, surpreendeu a atual campeã do Mundo ao responder a um cruzamento de Zuber com um cabeceamento certeiro que bateu Lloris. A pouca inspiração do jogo dos gauleses, quase gritante para a qualidade presente na comitiva, facilitava o jogo helvético, organizado e competente no momento defensivo, partindo a Suíça em vantagem para o segundo tempo perante um conjunto francês que nada tinha feito para o contrariar. No segundo tempo, o panorama do jogo inverte-se e a emoção, depois de chegar, não mais quis sair.  Aos 55´, a Suíça teve tudo nos pés para aumentar a sua vantagem, uma vez que o VAR assinalou uma infração dentro da área francesa a seu favor, mas Ricardo Rodríguez não conseguiu bater Lloris.

Praticamente de seguida, num espaço de dois minutos, Benzema bisou e consumou uma fantástica reviravolta no marcador. Com o seu primeiro golo a servido por Mbappé dentro da área suíça e o segundo a partir de uma boa jogada coletiva que o avançado completou com um toque de cabeça para as redes de Sommer, a França voltava a conseguir fazer o suficiente, sem deslumbrar, para conseguir atingir o resultado necessário. As coisas ficaram ainda melhores para os franceses quando, aos 75´, Pogba atirou um excelente remate “com selo de golo” que não deu hipóteses ao guardião adversário.

Mas desengane-se quem, nesta altura, tomava a Suíça como eliminada. O último grito de guerra helvético acabaria por chegar nos últimos dez minutos de jogo e obrigar a mais meia hora de jogo, para surpresa de quem assistia. A cabeça de Seferovic, aos 81´, voltou a castigar a turma de Deschamps e, aos 90´, Gavranovic deixou o seu país em êxtase ao selar o empate a três golos com um boa jogada individual. O natural cansaço agravado foi o mote do prolongamento, com os únicos destaques a serem uma boa defesa de Sommer e o maior domínio de bola francês, ainda que as redes adversárias tenham permanecido intactas. Chegada a altura decisiva das grandes penalidades, Mbappé tornou-se a cara do choque gaulês ao ver o seu remate ser defendido por Sommer, numa defesa que garantiu a passagem da Suíça aos quartos de final do Euro, onde irá defrontar a Espanha e atirou, contra todas as expetativas, o atual campeão mundial para fora da competição. Um jogo que foi uma autêntica ode ao que futebol representa.

Fonte da imagem: Twitter @BettingOddsUK

Fonte da imagem de capa: Twitter @EURO2020

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.