EURO 2020 – Dia 18: Itália e Espanha marcam encontro em Wembley, Bélgica e Suíça ficam pelo caminho

No arranque dos quartos de final do Euro 2020, houve emoção até ao fim, golos espetaculares e a afirmação de lendas. Espanhóis, após penáltis, e italianos, no tempo regulamentar, levaram a melhor sobre os seus adversários e avançam para as meias finais da competição.

Suíça 1-1 Espanha (1-3 após grandes penalidades)

No primeiro jogo do dia, defrontaram-se em S.Petersburgo duas seleções que vieram de eliminatórias emotivas e em clara subida de rendimento, com destaque para a Espanha que tinha 10 golos marcados nos últimos dois jogos.  A primeira parte foi bastante morna, com  duas equipas muito encaixadas que só conseguiram criar perigo através de lances de bola parada, registando-se apenas 1 remate à baliza- o golo espanhol.

Aos 7´ na sequência de um pontapé de canto. a bola não foi desviada por ninguém, sobrando para Jordi Alba que à entrada da área desferiu um remate forte desviado por Zakaria, que ao tentar cortar o perigo acabou por trair Sommer . O autogolo do jogador do Borussia Mönchengladbach foi o décimo neste campeonato da Europa, aumentando o número bizarro de golos na própria baliza nesta competição para dez, sendo que a Espanha já beneficiou de três.

A seleção helvética tentou reagir ao golo sofrido e manteve o plano de jogo apesar do golo madrugador, mas a saída de Embolo a meio da primeira parte, com queixas na coxa, obrigou Vladimir Petković a reformular mais uma vez a sua estratégia, devido à perda de explosão na saída para o ataque, com Shaqiri a ter de cair muito mais numa ala para dar largura.

A segunda parte começou como acabou a primeira, com a Espanha a gerir a vantagem com bola e paciência enquanto que a congénere adversária procurou lances de bola parada para criar perigo, mas só ao fim de sete cantos é que conseguiu assustar Unai Simon, quando aos 56´ Zakaria cabeceou perto da baliza do espanhol. O primeiro remate à baliza dos suíços aconteceu apenas durante este período (64´)  onde valeu o guarda-redes do Athletic Bilbau ao fazer uma defesa de instinto a um remate de esforço de Zuber depois de uma combinação com Ruben Vargas numa transição rápida lançada por Shaqiri com um passe magistral.

Cheirava a golo do empate e aos 68´ depois de uma combinação rápida e de a bola ser colocada na área, Laporte confundiu-se e chocou com Pau Torres com esta a sobrar para Freuler que, em posição perigosa e com os defesas centrais fora do lance, serviu Shaquiri que não tremeu e carimbou o empate na partida, de baliza aberta.

Aos 76´ mais uma contrariedade para a Suiça com Freuler a ser expulso com vermelho direto depois de uma entrada dura sobre Gerard Moreno, apesar da decisão do árbitro Michael Oliver ser contestável já que o jogador da Atalanta parece ter jogado a bola. Apesar da superioridade numérica, Luís Enrique  adotou uma postura conservadora nos últimos 15 minuto de jogo, decidindo não arriscar e partir para cima do adversário no tempo regulamentar, levado o jogo para prolongamento, onde a sua equipa dominou em larga escala.

Mesmo a abrir, Jordi Alba descobriu  Gérard Moreno na pequena área mas o avançado do Villarreal não conseguiu finalizar da melhor maneira a melhor jogada da equipa espanhola em toda a partida, atirando ao lado de forma inacreditável. A Espanha deu uma lição de como jogar em espaço curto no meio-campo adversário, materializando finalmente a posse de bola em remates perigosos, a maioria desferidos sem pressão à entrada da área. A Suíça, fragilizada, resistiu como pôde, saindo apenas em contra-ataque, sendo que no panorama defensivo valeu Sommer que vestiu a capa de herói com defesas decisivas aos 100´, onde a sua cabeça travou mais um remate de Moreno, e aos 102´, desta feita a parar uma tentativa de Oyarzabal.

Apesar de um autêntico massacre no prolongamento, a Espanha só conseguiu decidir o jogo no desempate por grandes penalidades. Aí a Suiça não conseguiu repetir a façanha dos oitavos de final contra a França e apenas conseguiu marcar um penalti contra os três convertidos por Dani Olmo, Gerard Moreno e Oyarzabal, que marcou o pontapé decisivo e enviou os nuestros hermanos para as meias finais do Euro 2020.

A festa espanhola contrastou com a desilusão suíça

Bélgica 1-2 Itália

Esta noite em Munique, havia a certeza que uma das equipas que melhor futebol jogou neste Euro ia para casa. Acabou por ser a equipa belga, que depois de eliminar Portugal, não conseguiu ultrapassar a seleção em melhor forma e que tem encantado toda a Europa: La bella Italia.

A primeira parte foi eletrizante com ambas as equipas a procurarem adiantar-se no marcador primeiro sendo que aos 13´ os italianos ainda gritaram golo, mas após a consulta do VAR o mesmo foi anulado por posição irregular de Bonucci e de Chiellini, antes de desviarem um livre de Insigne. Após o susto, a Bélgica tornou-se mais perigosa e obrigou mesmo Donnarumma a fazer duas grandes defesas aos 21´e 25, ambas na sequência de transições rápidas comandadas por Kevin De Bruyne que, na primeira vez rematou e na segunda optou por servir Lukaku, mas que também não conseguiu bater o novo guarda-redes do PSG.

Apesar do maior perigo belga, foi a seleção azzurri que chegou à vantagem à meia hora de jogo. A pressão italiana à saída de bola do adversário foi bem sucedida, com  Marco Verratti a intercetar um passe de Vertonghen para depois servir Nico Barella que através de um trabalho de pés extraordinário, soltou-se da pressão de três defesas e atirou a contar para a seleção comandada por Roberto Mancini.

Hoje era dia de esbanjar classe e aos 43´, Lorenzo Insigne pegou na bola no meio-campo, ultrapassou Tielemans e , descaído para a esquerda, rematou em arco para dentro da baliza de Courtois para aumentar a vantagem. Golaço e 2-0 no marcador. Esse resultado não durou muito tempo já que, um minuto depois, a Bélgica reduziu da marca dos 11 metros por intermédio de Lukaku depois de Doku ter sido travado por Di Lorenzo na área.

O extremo do Rennes foi o melhor jogador em campo com uma performance que deve ter chamado a atenção de muitos olheiros europeus, pela sua capacidade de mobilidade e decisão em jogadas rápidas como quando já na segunda parte lançou De Bruyne que já na área serviu de bandeja Lukaku, mas com o empate à espreita Spinazzola apareceu para desviar o esférico do caminho da baliza. O jogo foi eletrizante e pôs frente a frente duas equipas com ideias de jogo diferente mas que proporcionam um grande espetáculo na mesma, com um jogo italiano mais elegante assente na pressão e jogo em espaço curto em contraste com um jogo mais pragmático e de expetativa belga que privilegia as transições rápidas.

A segunda parte teve a mesma intensidade mas menos oportunidades sendo o resultado final aquele que estava no placar no fim da primeira parte, o que significa que a Itália segue em frente na competição e vai defrontar a Espanha, mas sem Spinazzola que fez uma rotura no tendão de aquiles e não joga mais neste torneio. A Bélgica fica pelo caminho naquela que foi talvez a sua melhor e última hipótese de ganhar algum troféu com a sua “geração de ouro”.

 

Fonte das imagens: conta de twitter oficial @EURO2020