Gonçalo Esteves troca o FC Porto pelo Sporting e reabre o debate sobre a formação em Portugal

O lateral direito de apenas 17 anos recusou assinar contrato profissional com os dragões e decidiu rumar a Lisboa, numa decisão que abriu o debate sobre a forma como cada clube aproveita os talentos oriundos das suas camadas jovens.

Segundo A bola, o jovem, que é um dos jogadores mais promissões do futebol português, assina pelos leões até 2024 e vai ser integrado nos trabalhos da equipa principal já nesta pré-temporada, sendo um lateral com golo e muita técnica, o que agrada bastante a Rúben Amorim. Como avança o mesmo jornal, uma das principais razões para esta mudança seria a forma  como o Porto tratou o irmão de Gonçalo, o também lateral direito Tomás Esteves, que, depois de em 2019 ter feito parte da geração que ganhou a Uefa Youth League e de se ter estreado na equipa principal azul e branca, nunca foi aposta de Sérgio Conceição, tendo passado a última temporada emprestado ao Reading.

O facto do caso de Tomás Esteves não ser único, já que o treinador depositou pouca confiança numa das melhores gerações de sempre dos dragões, precipitou o seu irmão a abandonar o clube que representava desde os 7 anos, já a pensar no seu futuro como profissional. Em contrapartida, o lateral vai para um clube onde a aposta na prata da casa volta a ser uma das fundações do plantel-13 jogadores campeões na última época foram formados em Alcochete, sendo esta uma movimentação a longo prazo, na medida em que no presente, Porro e Esgaio dão garantias.

O treinador leonino fez questão de frisar em março do ano passado que, independentemente da idade, se o jogador tem qualidade seria aposta em Alvalade, destacando também que “os jovens que tiverem dúvidas entre clubes têm a porta aberta no Sporting” Esta declaração parece ter feito eco em Portugal e no estrangeiro, já que este verão, os verde e brancos já asseguraram, além de Gonçalo Esteves, as contratações de Vando Félix, vindo do Leixões, Étienne Catena, da Roma, José Marsá, do Barcelona e Issahaku Fatawu, do Liverpool, todos com idades compreendidas entre os 17 e 19 anos. Muitos destes jogadores irão inicialmente competir na equipa B ou nos sub-23, mas, com o seu potencial, formam uma geração forte que pode vir a ser aproveitada por Rúben Amorim nos próximos anos.

Já o Porto, vê mais um talento fugir, numa autêntica limpeza que está a acontecer nos últimos meses nas camadas jovens, em que muitas joias decidiram abandonar o clube por não terem perspetivas de futuro enquanto profissionais. Este fenómeno é algo que tem de fazer pensar os responsáveis portistas, mas também dos outros clubes portugueses em relação à forma como planeiam a integração dos jovens nos plantéis seniores.

Fonte da imagem de capa: Gerardo Santos/Global Imagens