Quem te viu e quem te vê: Lucas Paquetá

Atuando numa posição que é considerada por muitos como desatualizada dentro do futebol, Lucas Paquetá tem sido, a par de Neymar, um dos grandes protagonistas do Brasil na atual Copa América, onde os canarinhos vão disputar a final com a Argentina de Lionel Messi. A viver a melhor fase da sua carreira desde que abandonou o seu país-natal, em 2018, o médio ofensivo não teve vida fácil na sua chegada ao Velho Continente e só na presente temporada conseguiu voltar a mostrar o porquê de ainda ser considerado uma das maiores promessas do futebol brasileiro.

Nascido no dia 27 de agosto de 1997, Lucas Tolentino Coelho de Lima é mais conhecido no mundo do futebol como Lucas Paquetá,  devido ao sítio onde nasceu, Ilha de Paquetá, um bairro situado no Rio de Janeiro. Deu os primeiros passos como jogador no Flamengo, o único clube brasileiro que representou durante toda a sua carreira, com apenas oito anos de idade. Estreando-se em 2016, o ano seguinte seria aquele em que Paquetá se mostraria uma opção valiosa para o seu treinador. Aproveitando algumas lesões que assolaram o clube, o jovem avançado atuou como um falso avançado (ao invés da sua mítica mas cada vez mais rara posição 10) e mostrou serviço. 36 jogos, seis golos, dois deles em finais de competições: Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, sendo que, na segunda, foi eleito o melhor jogador em campo.

Paquetá recebeu o troféu Bola de Prata da ESPN, em 2018, pelas suas atuações no Flamengo

Em 2018, Paquetá explodiu. Passando a ser utilizado na sua posição natural, médio ofensivo, o jovem de 20 anos passou a ser titular indiscutível e, apesar de ter terminado sem qualquer título conquistado, foi considerado um dos melhores jogadores do campeonato e, de longe, uma das maiores promessas do futebol canarinho. As suas prestações no Brasil chamaram atenção europeia, com emblemas como AC Milan, Juventus, PSG e Barcelona a serem intensamente ligados a Paquetá no decorrer do mercado de inverno desse ano, sendo que foram os rossoneri que levaram a melhor na corrida pelos seus serviços em outubro de 2018, ainda que o jogador apenas se tivesse tornado reforço em janeiro de 2019, após a conclusão da temporada no Brasil. Lucas Paquetá deixou assim o seu país-natal depois de uma temporada onde, em todas as competições, disputou 56 jogos e apontou 12 golos.

Tendo custado 35 milhões de euros ao Milan, Paquetá desde cedo sofreu bastante pressão para se mostrar ao mesmo nível que no Flamengo. Com a adicional dificuldade em se adaptar ao futebol italiano, mais tático e menos propenso à liberdade técnica, o médio ofensivo teve uma passagem muito apagada pelo gigante europeu, atuando, ao longo de duas épocas, em 44 jogos e apontando apenas um golo. Os dirigentes milaneses também terão demonstrado pouca fé no jogador, já que em setembro de 2020, Lucas Paquetá foi anunciado como reforço do Lyon, que pagou cerca de 20 milhões de euros pela sua vinda. Com a missão de reacender a sua ainda jovem carreira, o brasileiro começou a temporada transata numa equipa habituada a disputar competições europeias mas, que fruto da sua classificação anterior, não tinha conseguido obter a qualificação para tal, encontrando-se “obrigada” a ter uma temporada positiva.

Lucas redescobriu a sua forma em território francês

A resposta do brasileiro à necessidade de sucesso do clube? 34 jogos, dez golos, seis assistências e uma ajuda indispensável à conquista de um quarto lugar na Ligue 1, que garantiu a presença do Lyon na próxima edição da Liga Europa, com apenas dois pontos a terem separado a equipa francesa da possibilidade de qualificação para a Liga dos Campeões. As suas prestações valeram-lhe um lugar na equipa do ano da Ligue 1, tendo herdado recentemente a camisola 10 de Memphis Depay, transferido para o Barcelona. Com a saída do holandês, adivinha-se que ainda mais expetativas recaiam sobre Paquetá na temporada 2021/22, mas se a atual edição da Copa América nos diz algo, é que o brasileiro de 23 anos está mais que preparado para corresponder ao que se espera dele.

Membro recorrente das equipas sub-19 e sub-20 do Brasil, Paquetá estreou-se pela equipa principal no dia 7 de setembro de 2018, num amigável frente aos Estados Unidos da América. Passando a ser chamado com habitual recorrência por Tite, Paquetá apenas figurou num jogo na Copa América 2019, mas na edição presente, o médio ofensivo tem sido uma das grandes estrelas da sua equipa, evidenciando traços da forma que mostrou pelo Flamengo. Começando com aparições tímidas na fase de grupos, o médio ofensivo tem dado que falar na fase a eliminar, armando uma dupla temível com Neymar que culminou com um golo que ditou a eliminação do Chile nos quartos de final (1-0) e outro que eliminou o Peru nas meias-finais (1-0) e garantiu que o Brasil garantisse a nona final das últimas 14 Copas América disputadas. Restando apenas a Argentina no caminho brasileiro, tudo aponta para que Paquetá seja uma carta utilizada pelo selecionador para conseguir ultrapassar Messi e companhia. Para o médio ofensivo, protagonista de uma posição que jogadores lendários como Ronaldinho ou Rui Costa tão bem desempenharam, resta-lhe comprovar que a sua posição continua tão viva como a sua forma e tentar a selar a conquista da segunda Copa América do seu palmarés, desta vez com um protagonismo bem diferente e longe dos tempos escuros que o assombraram em San Siro.

Fonte das imagens: lance.com.br; globoesporte.globo.com; Twitter @CBF_Futebol

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.