Como Joga: Espanha de 2012

Com a final do EURO ao virar da esquina, e com um novo vencedor quase a ser eleito, é importante olhar para trás e ver uma das melhores equipas a vencer a competição. Entre 2008 e 2012 a Seleção Espanhola foi uma super potência do futebol mundial, vencendo todas as competições de seleções nesses quatro anos: Dois Europeus e um Mundial. A nível tático, cada uma das equipas era diferente, adaptando-se aos jogadores que tinham disponíveis e aos seus níveis de forma. A mais criativa a nível tático foi a que venceu o Europeu de 2012. Neste artigo vou analisar esta equipa e compará-la em alguns aspetos com as de 2008 e 2010.

 

O Caminho:

Antes de 2008, a Seleção Espanhola adotava um estilo de jogo conhecido por ‘La Furia’, que consistia em colocar os extremos em posições avançadas e efetuar o máximo de cruzamentos possíveis para os dois avançados. Após uma prestação fraca no Mundial de 2006, Luis Aragonés decidiu alterar a forma de jogar da sua equipa. Mantendo o sistema de 4-4-2, mas com médios criativos a jogar por fora (neste caso, Iniesta e David Silva), reduzindo o número de cruzamentos. Muitas vezes, este 4-4-2 transformava-se num 4-5-1, com Fernando Torres a jogar sozinho na frente. Os extremos invertidos jogavam mais próximos do corredor central, permitindo os avanços dos laterais Sergio Ramos e Capdevilla. Neste Europeu começaram a adotar um estilo de jogo marcado pela posse de bola, mais passiva. Ou seja, a posse de bola era utilizada como um mecanismo puramente defensivo.

Em 2010, o selecionador já era Vicente Del Bosque. Este decidiu fazer algumas alterações em vez de mudar o sistema por completo. O espanhol decidiu mudar para um 4-2-3-1, com um duplo pivot com Xabi Alonso e Sergio Busquets a fazer o trabalho de Senna. Ainda que maior parte do tempo utilizasse Iniesta na ala, muitas vezes o jogo pedia extremos mais rápidos, pelo que Pedro e Jesus Navas tiveram um papel bastante importante nesta conquista. Em comparação com o Euro 2008, esta equipa aumentou a sua média de posse de bola por jogo, de 50% para 59%. Esta alteração fez com que nos sete jogos do Mundial, a equipa apenas marcasse oito golos, mas foi o suficiente para vencer o torneio. No entanto, com a dupla de Busquets e Alonso a proteger a linha defensiva, esta equipa apenas sofreu dois golos. Nesta competição foi possível observar a influência que o Barcelona de Guardiola teve nesta seleção, pois começaram a pressionar de forma semelhante, cortando regularmente as linhas de passe dos adversários.

Agora chegamos a 2012, em que existe uma revolução do sistema, especialmente devido à má forma de Fernando Torres e à falta de David Villa.

 

O 4-6-0

Tendo em conta que Fernando Torres estava em má forma desde que se tinha transferido para o Chelsea e que David Villa estava de fora, por lesão, Del Bosque não quis arriscar jogar um ponta de lança qualquer. Então, decidiu jogar sem um ponta de lança fixo. Novamente, os níveis de posse de bola voltaram a aumentar, com a equipa a atingir uma média de 64% por jogo. Sofreram bastantes críticas por apresentar um futebol passivo e lento, sem agressividade. Muito por causa de outro dado estatístico que mostrava que a equipa, em média, fazia 58 passes antes de realizar um remate (25 mais que em 2008 e 14 mais que em 2010).

A chave da equipa eram os três jogadores que faziam o papel de falso nove e que iam rodando entre si: Iniesta, Fabregas e David Silva. O lateral esquerdo Jordi Alba era quem mais ajudava no ataque, tendo inclusive sido um torneio de afirmação para o espanhol, oferecendo largura ao jogo da equipa. Como Arbeloa não era tão propenso a aventuras pela ala, muitas vezes Pedro ou Navas voltavam a assumir o lugar de um dos avançados para conseguir esta largura necessária do lado direito. Uma das maiores armas da equipa era a capacidade de colocar vários jogadores nas alas, para puxar os adversários. Mas, em vez de virar o jogo para a outra ala, os espanhóis tinham um dos médios a realizar entradas na área, em posição de finalizar. Este sistema era avassalador em vários momentos, prova disso foi a final do Europeu, em que a Espanha derrotou a Itália por 4-0.

 

A equipa:

O onze inicial da Seleção Espanhola.

GR: Iker Casillas

DD: Álvaro Arbeloa

DC: Sergio Ramos

DC: Gerard Piqué

DE: Jordi Alba

MC: Sergio Busquets

MC: Xabi Alonso

MC: Xavi Hernández

MD: David Silva

ME: Andrés Iniesta

F9: Cesc Fàbregas

Os jogadores da frente rodavam bastante entre si, e muitas vezes jogadores como Pedro, Jesus Navas e Juan Mata entravam na equipa para diferentes momentos do jogo. Era um onze de luxo, dominado especialmente pelo Real Madrid e pelo Barcelona, com David Silva e (na altura) Jordi Alba os únicos “intrusos”.

 

A final do Europeu 2020 está marcada para dia 11 de julho (domingo), pelas 20 horas, com Inglaterra e Itália a baterem-se por um lugar na história. Mas será que alguma destas equipas vencia à Espanha de 2012?

 

Imagem: Twitter @AndrewGillan