Como Joga… Argentina (2004 e 2008)

Argentina 2004 e 2008 (Jogos Olímpicos)

Num momento em que a seleção argentina conquistou um título internacional pela primeira vez desde 1993, e também em contagem decrescente para o início dos Jogos Olímpicos, recordamos como jogava a albiceleste que venceu a medalha de ouro em Atenas em 2004 e Pequim em 2008.

Antes de tudo, um ponto prévio. O torneio de futebol olímpico não é uma grande competição mundial de futebol; nem, tão pouco, a principal atração das olimpíadas. Outrora mais respeitado, considerado – antes de 1930, o futebol nos jogos olímpicos era o mais parecido com um mundial de futebol como hoje o conhecemos –, atualmente é uma prova mais vulgar, onde só estão jogadores sub-23, excluindo 3 elementos, com a idade que se quiser (regras, no mínimo, estranhas, convenhamos), e cuja competição começa antes da cerimónia de abertura dos jogos (uma questão que não é só estranha – é absurda).

A FIFA e o COI nunca se entenderam em relação ao futebol olímpico, fazendo com que esta prova se diferencie negativamente das outras modalidades coletivas (essas sim conferindo credibilidade ao certame, com as suas melhores equipas e jogadores).

No entanto, e como ser irá perceber pela seleção argentina, talento futebolístico nunca faltou nos palcos olímpicos.

As seleções argentinas:

Ayala, Burdisso, Coloccini, Heinze, Mascherano, Kily González, D’Alessandro, Tevez, Saviola, Lucho González, Romero, Garay, Zabaleta, Riquelme, Di Maria, Aguero, Messi. Estes são alguns dos nomes que representaram a Argentina em Atenas e Pequim. Como se percebe, qualidade não faltou e os resultados foram irrepreensíveis – 14 jogos, 14 vitórias, 28 golos marcados e 2 sofridos (17-0 em 2004 e 11-2 em 2008).

Em 2004, a fase de grupos foi sublime – 6-0 à Sérvia e Montenegro, 2-0 à Tunísia e 1-0 à Austrália. Nos quartos-de-final, 4-0 à Costa Rica (carrasco de Portugal, ganhando-nos 4-2…), e nas meias-finais, 3-0 à Itália. No Estádio Olímpico de Atenas, na grande final, 1-0 ao Paraguai – golo da vitória de Carlos Tevez.

Os pupilos de Bielsa deram espetáculo do princípio ao fim – distribuídos num 3-5-2 muito ofensivo e com muita bola –, não dando hipóteses à concorrência: Lux era o Keeper; depois, Ayala, Coloccini e Heize, a dar segurança defensiva, mas sabendo sair a jogar; Rosales e Kily Gonzáles a dar asas à equipa, pelos corredores, enquanto no miolo surgiam Lucho González, Mascherano e D’Alessandro (este mais solto pelo meio campo ofensivo); o ataque estava entregue a Carlos Tevez e César Delgado (muitas das vezes, também Saviola) – em conjunto marcaram 12 dos 17 golos obtidos.

Em 2008, uma primeira fase 100% vitoriosa – 2-1 À Costa do Marfim, 1-0 à Austrália e 2-0 à Sérvia. A seguir, o jogo mais difícil desta caminhada (2-1 aos Países Baixos, após prolongamento). Depois, goleada 3-0 ao Brasil de Ronaldinho Gaúcho. Por fim, no ninho de Pequim, vitória por 1-0 à Nigéria, golo de Di Maria.

Desta vez, o estilo de jogo implementado pelo técnico Sérgio Batista era mais sóbrio, mais equilibrado, mas sem perder a capacidade criativa, sobretudo quando a bola chegava aos pés dos 4 mais adiantados – Di Maria, Riquelme, Messi e Aguero (Lavezzi também jogou, e marcou). Atrás destes, um duplo pivot a dar consistência – Gago e Mascherano (bicampeão olímpico, coisa raríssima no futebol atual), e uma linha de quatro muito segura (Zabaleta, Garay, Pareja e Monzon), para além do guarda-redes Romero.

Em 2012, em Londres, a Argentina não se qualificou; em 2016, no Rio de Janeiro, não passou da primeira fase (foi derrotada pela seleção portuguesa inclusive). Agora, em 2021, em Tóquio, com uma equipa sem grandes vedetas (atenção a Barco, Ponce e Almada), a Argentina vai à procura da glória olímpica uma vez mais.

 

Imagem: Mercado do Futebol