Quem te viu e Quem te vê: Mesut Ozil

Mesut Ozil, de 33 anos, é um dos maiores criativos da sua geração. Com passagens por Werder Bremen, Arsenal e Real Madrid, o médio alemão provou várias vezes o porquê de ser um dos melhores do mundo na sua posição. Então, porque regressou ao Fenerbahçe em janeiro, e porque descarrilou a sua carreira durante a sua altura com os gunners?

Ozil com o troféu de Campeão Europeu sub-21, onde foi o Melhor Jogador

Mesut Ozil nasceu em 1988 e viveu toda a sua infância na Alemanha. Aos 17 anos, chegou ao Schalke 04, onde brilhou, tanto nas camadas jovens como, a partir de 2006, na equipa principal.

Em 2008, consumou a sua transferência para o Werder Bremen, onde esteve durante duas épocas e meia. Diego, médio brasileiro, era visto como o concorrente ao seu lugar, no entanto, Ozil cedo se afirmou como o jogador mais capaz. Na época seguinte, o jogador fez 3 golos e 12 assistências, assumindo-se como figura principal do plantel que alcançou a final da Taça UEFA e, em 2009-2010, os seus 9 golos e 13 assistências foram cruciais para o terceiro lugar do Werder Bremen no campeonato alemão. Pela seleção sub-21, Ozil ganhou o prémio de Jogador do Torneio do Campeonato da Europa de 2009, marcando um golo e assistindo dois na final.

As exibições de Mesut Ozil, tanto pelo seu clube como pela seleção alemã, onde foi um dos melhores jogadores do Mundial de 2010, não passaram despercebidas no mundo do futebol. Foi, portanto, sem espanto, que no mercado de transferências de verão de 2010, o Real Madrid avançou com 18 milhões de euros para a sua contratação e, em Madrid, Ozil provaria, ao serviço de José Mourinho, a razão de ter sido contratado.

Ronaldo e Ozil foram dois dos elementos mais importantes para a reconquista do campeonato espanhol do Real Madird, em 2011-2012

Mourinho e Ozil passaram sensivelmente o mesmo tempo em Madrid. Foi ao serviço do treinador português que Ozil apurou o seu futebol e teve uma das suas melhores épocas. Depois da temporada de 2010-2011, onde o Barcelona se revelou implacável, o Real Madrid avançou para a época seguinte a mostrar como uma dupla de Mesut Ozil e Cristiano Ronaldo podia ser temível, sobretudo com jogadores como Karim Benzema ou Gonzalo Higuaín também no ataque. Ao todo, Ronaldo acabou a época com 60 golos e 15 assistências, Ozil fez 28 passes para golo e o Real Madrid destronou o Barcelona de Pep Guardiola com o recorde de 100 pontos conquistados, marcando 117 golos no processo.

A época seguinte revelou-se uma desilusão para o Real, que definiu que era necessário fazer mudanças. Carlo Ancelotti veio e, em Londres, um jovem de 24 anos brilhava na Premier League. Gareth Bale era desejo dos Madrilenos mas, para o financiar, era preciso fazer lucro. Higuaín foi para o Nápoles e Ozil acabou por ser vendido por 47 milhões para o Arsenal de Arséne Wenger. Não deixou, contudo, de mostrar o seu valor, sendo até um dos pilares da vitória alemã no Campeonato do Mundo de 2014.

A dupla Ozil-Alexis revelou-se particularmente prolífica, não antecipando a quebra de rendimento de ambos os jogadores em épocas seguintes.

A chegada de Alexis Sanchéz provou ser a adição perfeita ao jogo de Ozil. Entre os anos de 2015 e 2017, Ozil fez 14 golos e 29 assistências na Premier League, enquanto que Sanchéz apontou 37 golos e 16 assistências para o campeonato. Durante esse intervalo de tempo, o Arsenal alcançou um segundo lugar, na época de glória do Leicester City, e uma Taça de Inglaterra. Nada anteviria que ambos os jogadores viriam a ter tão repentinas quedas na sua carreira (quem sabe se, um dia, não haverá uma edição sobre o chileno?).

Contudo, na chegada à época seguinte, o rendimento de Ozil desceu drasticamente e, a partir do verão, surgiram os maiores problemas.

A juntar ao péssimo rendimento da Alemanha no Mundial 2018, do qual Ozil foi visto como um dos principais responsáveis, várias lesões roubaram-lhe tempo de jogo e, em 2018-2019, apenas apontou cinco golos e duas assistências.  Algum do seu perfume tinha esvanecido e, sendo um dos mais bem pagos, numa altura de instabilidade do clube, o seu rendimento levava a que o médio alemão tivesse passado de um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos do Arsenal para um dos jogadores mais contestados.

A agravar a tudo isso, Ozil nunca se afastou de momentos polémicos. Em 2019, numa época em que Ozil se recusava a diminuir o seu salário milionário, algo que desagradava à estrutura e aos fãs dos gunners, o jogador publicou uma mensagem em que repudiava a atitude da China perante a minoria islâmica Uigur no país. Como represália, alguns jogos do Arsenal deixaram de ser televisionados e as suas páginas online no país foram apagadas.

Depois de várias épocas de elevado nível, de 2018 a 2021 Ozil passou a ser aquilo que representava o problema do Arsenal: uma vedeta que ganhava balúrdios pelo nome e não pelo que dava a equipa, algo que não permitiria que o clube ultrapassasse a sua fase de seca de títulos.

Assim, em janeiro deste ano, Mesut Ozil decidiu rumar à Turquia, para representar o Fenerbahçe. No clube turco, fez apenas 11 jogos e apontou uma assistência.

Contemplamos, então, a história de um jogador que, depois de épocas de grande talento e mérito, diminuiu drasticamente em apenas três anos. Mesut Ozil, um jogador de calibre mundial, acabou por não demonstrar a sua qualidade nos últimos anos e, no Arsenal, “ficou tempo suficiente para se tornar o vilão”. Prestes a fazer 33 anos, Ozil poderá procurar o contrato da sua vida num campeonato periférico, no entanto, esta quebra de rendimento de uma figura outrora tão poderosa no mundo do futebol é, sem dúvida alguma, digna de figurar nesta rubrica.

 

Fonte da imagem de capa: Twitter oficial de Mesut Ozil – @MesutOzil1088

Ozil campeão europeu sub-21: Twitter oficial da UEFA Under-21 EURO – @UEFAUnder21

Ozil e Ronaldo: https://www.goal.com/br/not%C3%ADcias/ozil-revela-que-cristiano-ronaldo-se-irritou-quando-ele/1wzz31wsurnp617in0j0ec5po1

Ozil e Alexis Sanchéz: https://bleacherreport.com/articles/2712957-alexis-sanchez-mesut-ozil-sale-would-be-right-decision-says-martin-keown