Quem te viu e quem te vê: Thomas Vermaelen

Mesmo já tendo passado o pico da carreira e de jogar por terras nipónicas, Thomas Vermaelen foi mais uma vez fundamental na seleção belga num grande torneio. Atualmente no Vissel Kobe, como foi a carreira do central belga?

Thomas Vermaelen nasceu a 14 de novembro de 1985 em Kapellen, um município na cidade portuária belga de Antuérpia. Com apenas 15 anos mudou de país e foi jogar para a Academia do Ajax. Após anos naquela que é uma das melhores academias do mundo, o então jovem belga teve a oportunidade de se estrear a 15 de fevereiro de 2004, numa partida contra o FC Volendam. Ainda neste ano foi também emprestado ao RKC Waalwijk, clube neerlandês no qual Vermaelen acabou por ganhar maturidade e experiência que lhe permitiram conquistar progressivamente espaço na equipa principal do Ajax.

Foi também no Ajax que começaram a surgir as primeiras lesões que afetaram constantemente a carreira do belga. Na época 2006/2007 parou mais de um mês e na época seguinte problemas no ligamento cruzado e na virilha afastaram-no de quase metade da temporada. Ainda assim, não obstante os problemas físicos, Vermaelen assumiu-se como titular do clube de Amesterdão. Em 2008/2009, última época ao serviço do Ajax chegou inclusivamente a assumir a braçadeira de capitão após a saída de Huntellar para o Real Madrid.

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Capitão e titular indiscutível, o central belga começou a atrair holofotes dos grandes clubes europeus e em 2009 assinou pelo Arsenal por 12 milhões de euros. Chegado à Premier League, a liga mais competitiva do mundo, o central belga rapidamente conquistou o seu espaço e começou a brilhar. Dono de uma grande capacidade de passe, o central era fundamental a orientar a saída de bola dos gunners. Veloz e com facilidade no desarme, Vermaelen tornou-se um dos destaques do Arsenal, ocupando a vaga deixada por Kolo Touré que assinara pelo Manchester City. Na primeira época em Inglaterra fez 33 jogos na Premier League nos quais marcou sete golos, ganhou o prémio de jogador do mês do clube por duas vezes consecutivas e o apelido de “Verminator” por parte dos adeptos do Arsenal e foi eleito para a equipa do ano da Premier League. No entanto, no fim da temporada esteve afastado por problemas musculares nos gémeos, naquela que foi apenas a primeira de muitas lesões que sofreu na sua passagem por Londres.

Na época seguinte, após três jogos na Liga Inglesa sofreu uma lesão no tendão de Aquiles que o afastou de quase toda a temporada. Ainda assim, mal se recuperou da lesão assumiu a titularidade e renovou o contrato que o ligava ao Arsenal. No início da nova temporada, após a saída de Van Persie tornou-se vice-capitão e, apesar da operação para resolver a lesão no tendão de Aquiles, Vermaelen fez mais uma boa temporada. No fim desta conquistou a braçadeira de capitão que envergou até ao fim da sua passagem por Londres. Outras lesões menores marcaram a passagem do jogador pelo Arsenal e afastaram o jogador de jogos importantes a contar para a Premier League e para a Liga dos Campeões. A conquista da FA Cup em 2014, jogo no qual ficou sentado no banco como suplente não utilizado, representou o último título da passagem de Vermaelen pelos gunners e marcou a última temporada do belga no clube.

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Apesar da lesão que sofrera em julho, o Barcelona decidiu avançar para a contratação de Vermaelen, pelo qual desembolsou 19 milhões de euros. No entanto, o belga chegou lesionado à Catalunha e, mal recuperou da lesão voltou a lesionar-se, pelo que a sua estreia só aconteceu em maio, numa partida contra o Deportivo de la Coruna. Apesar de falhar todas as partidas, Vermaelen acabou também por conquistar a Liga dos Campeões uma vez que foi inscrito pelo Barcelona nesta competição.

A temporada seguinte começou melhor e Vermaelen marcou o seu primeiro golo ao serviço dos blaugranas a 29 de agosto de 2015, mais de um ano depois da sua chegada a Barcelona, numa partida contra o Málaga. Após um bom começo no qual foi elogiado por Luis Enrique bastantes vezes, Vermaelen lesionou-se e ficou afastado um mês da competição entre setembro e outubro. Após a recuperação, Vermaelen conquistou o Mundial de Clubes, mas uma nova lesão em abril afastou o central da competição. As lesões e a competitividade enorme por um lugar no centro da defesa (disputado com Mascherano, Piqué, Bartra e Mathieu embora muitas vezes o francês jogasse como lateral esquerdo) fizeram com que Vermaelen só disputasse 20 partidas nesta temporada.

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A ausência de minutos dentro de campo levou o Barcelona a procurar colocação para Vermaelen e a Roma recebeu o belga por empréstimo com opção de compra (que não chegou a ser ativada). Em terras romanas o central voltou a sofrer de lesões e os 12 jogos que realizou durante a temporada levaram ao retorno a Barcelona.

De volta a Espanha, o central evitou grandes lesões durante o resto da passagem (com exceção de dois períodos de um mês no qual esteve afastado dos relvados). No entanto, nunca foi capaz de se afirmar como titular na defesa do Barcelona e no final da temporada de 2018/2019 não viu o seu contrato ser renovado.

A custo zero, Vermaelen viu no futebol japonês a garantia de continuidade na sua carreira e assinou pelo Vissel Kobe. Fora das principais ligas europeias e da atenção mediática, o central vem desde então tendo épocas regulares no clube japonês onde joga ou já jogou com nomes como Iniesta (uma parceria desde o Barcelona) ou Podolski.

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Apesar do sucesso relativo na carreira de clubes onde sempre que o corpo permitiu, se apresentou a bom nível, a seleção belga foi, porventura, onde Vermaelen mais se destacou. Estreante em 2006 no jogo amigável contra a seleção de Luxemburgo, o central formou uma grande parceria com Verthongen e Alderweireld a partir da chegada de Roberto Martínez ao comando técnico. Esteve presente nos Mundiais de 2014 e de 2018 bem como nos Europeus de 2016 e de 2020 (realizado este verão). É ainda expectável que o seu percurso com os diabos vermelhos continue pelo menos até ao Mundial de 2022.

Vermaelen será recordado como um grande central cuja carreira poderia ter sido amplamente superior caso as lesões o tivessem permitido. Agora no Japão, liga com um desenvolvimento bastante interessante nos últimos anos, é ainda possível vislumbrar o talento do belga.

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