Sporting vence Sporting de Braga e conquista a Supertaça

No primeiro título da temporada o Sporting, vencedor do campeonato, derrotou o Sporting de Braga que venceu a Taça de Portugal por 2-1.

No primeiro jogo oficial de cada uma das equipas e com 10.000 adeptos nas bancadas, Rúben Amorim e Carlos Carvalhal mantiveram a aposta no esquema tático utilizado na última temporada. O Sporting entrou assim no 3-4-3 já habitual com Adán na baliza e Feddal, Coates e Gonçalo Inácio na linha defensiva. Nuno Mendes à esquerda e Ricardo Esgaio à direita foram os alas da equipa de Rubén Amorim que contou também com Palhinha e Matheus Nunes no meio-campo. Os três homens mais adiantados eram por sua vez Jovane Cabral, Paulinho e Pedro Gonçalves. Já o Sporting de Braga alinhou Matheus na baliza, Sequeira no lado esquerdo da tripla de centrais, Paulo Oliveira na direita e Raúl Silva mais centralizado. Galeno à esquerda e Fabiano à direita eram os responsáveis por fazer o corredor do Sporting de Braga cujo meio-campo começou com Al Musrati. Fransérgio, Ricardo Horta e Abel Ruiz eram os homens mais adiantados na equipa de Carlos Carvalhal.

Com bastantes semelhanças na formação apresentada por ambas as equipas, o jogo começou com os jogadores muito encaixados uns nos outros (principalmente no meio-campo, onde Al Musrati e André Horta estavam claramente frente a frente com Matheus Nunes e Palhinha, respetivamente). Ainda assim, desde o início do jogo que foi possível identificar diferenças entre as equipas tanto no momento ofensivo como na forma como efetuavam a pressão.

O central pela esquerda do Sporting de Braga, Nuno Sequeira, subia várias vezes no terreno, permitindo ocasionalmente a aproximação de Galeno aos homens da frente e a procura de terrenos mais interiores por parte de Fransérgio. Já no Sporting, o lado esquerdo era também fundamental nas aproximações à baliza, com destaque para Nuno Mendes, muito importante a dar profundidade e a encontrá-la através de passes de rutura. Também neste lado era costume ver Matheus Nunes a transportar o jogo e a acelerar.

Porém, o equilíbrio inicial da partida era desfeito não tanto pelo destaque na construção pelo lado esquerdo, mas mais pela qualidade da pressão dos guerreiros do Minho. Os jogadores pelo lado do ataque do Braga (Ricardo Horta e Fransérgio) recuavam ligeiramente e, ao invés de pressionar os centrais, procuravam impedir as linhas de passe para os alas do Sporting. Foi assim desta forma que o Sporting de Braga conseguiu alcançar algum ascendente na partida.

Tal ascendente (ainda que ligeiro) foi consagrado em golo logo aos 20 minutos, num lance no qual a importância dos três elementos mais adiantados do Sporting de Braga é evidente. Abel Ruiz saiu da sua zona mais central e recebeu um passe longo ligeiramente mais descaído no lado direito. Após uma grande receção com o peito colocou a bola em Ricardo Horta que, de forma exímia, fez um grande passe em arco para Fransérgio que, aproveitando o espaço deixado por Abel Ruiz na zona central, entrou em diagonal, recebeu o grande passe, com um toque tirou Gonçalo Inácio do lance e, à entrada da área rematou para a baliza defendida por Ádan, com a bola ainda a bater no poste.

Após o golo o Sporting de Braga continuou ligeiramente por cima, mas viria mesmo a sofrer o golo do empate aos 29 minutos, num lance pelo corredor esquerdo e já habitual de ver no Sporting de Rúben Amorim. O Sporting recuperou a bola com o Sporting de Braga já instalado no meio-campo adversário e rapidamente saiu em transição. Jovane mais por dentro recebeu de costas e ainda antes do meio-campo, colocou a bola em Nuno Mendes e desmarcou-se procurando o espaço entre os defesas centrais adversários. De forma milimétrica Nuno Mendes colocou a bola no espaço certo e Jovane no frente a frente com Matheus não desperdiçou.

Após o golo do empate o Sporting assumiu o controlo do jogo e foi mais forte durante toda a partida. Pressionando forte os três centrais bracarenses a equipa minhota perdeu a qualidade na saída e as bolas despejadas por Matheus e pelos centrais (principalmente Raúl Silva) acumularam-se na esperança quase utópica de uma segunda bola gerar uma jogada de ataque.

Após ameaçar aos 33 minutos (após grande cruzamento de Nuno Mendes após abertura de Matheus Nunes), Pedro Gonçalves viria mesmo carimbar a reviravolta, num excelente golo. Corte de cabeça de Palhinha após Matheus tentar iniciar a construção com um passe longo para a zona do meio-campo, grande bola de Matheus Nunes para Pote que, após receber de forma fantástica rematou de trivela, levando ao delírio os adeptos sportinguistas em casa e no estádio.

A segunda parte começou e os problemas na construção por parte do Sporting de Braga mantiveram-se, embora se tenham apresentado de forma ligeiramente diferente. As bolas longas sem critério foram (até certo ponto) substituídas por uma saída mais curta e em apoios, mas repleta de erros. Só nos primeiros minutos da segunda parte Paulinho isolado caiu à entrada da área num lance duvidoso e Pote e Matheus encontraram espaço para tentar o remate.

De facto, às várias limitações do Braga na construção juntava-se a qualidade do Sporting e dos homens da frente em aproveitar o espaço nas costas dos médios e em profundidade. Com Paulinho a dar linhas de passe em apoio, com Pote a jogar tanto entre linhas como nas costas da linha defensiva, com a capacidade de Jovane aparecer no espaço entre centrais/ entre ala e central e com fornecedores como Nuno Mendes, Gonçalo Inácio ou Matheus Nunes (também importante a levar a bola em posse), o Sporting controlou o jogo, impedindo o Braga de se aproximar da baliza de Ádan.

À passagem da hora de jogo Nuno Mendes num livre direto aproveitou o mau preparamento da barreira em defender uma bola batida por fora e atirou às malhas laterais e pouco depois uma substituição do Sporting de Braga fez história. Para o lugar de Galeno entrou Roger com apenas 15 anos e que, após se ter destacado na pré-temporada teve a oportunidade de se estrear numa partida oficial pelo Braga. Carlos Carvalhal foi fazendo alterações com o intuito de tornar a equipa mais ofensiva, abdicou da construção a três e colocou mais pontas de lança, mas foi incapaz de criar perigo. Por outro lado, os erros do Braga resultavam em grandes oportunidades para o Sporting.

À entrada dos últimos dez minutos do tempo regulamentar, Matheus foi até fora de área para receber a bola, mas falhou o passe e permitiu que a bola ficasse em Tiago Tomás (que havia entrado para o lugar de Paulinho). O jovem avançado tirou o guarda-redes do Sporting de Braga do lance, colocou habilmente em Pote que, após um túnel açucarado, rematou ao lado.

Até ao fim a qualidade do jogo foi diminuindo e mesmo com sete minutos de compensação, não se voltaram a registar alterações táticas relevantes nem lances de perigo iminente.

O Sporting foi superior e conquistou o primeiro título da temporada, num jogo também marcado pelo regresso dos adeptos ao estádio. Por várias vezes se ouviram as bancadas pintadas de verde a cantar “O campeão voltou” e de facto voltou e voltou para ganhar a Supertaça.

Fonte da imagem de capa: Twitter @Canal_11Oficial