Sporting é goleado pelo Ajax num regresso para esquecer à Champions League

Quatro épocas depois, o Sporting teve um regresso para esquecer aos palcos da fase de grupos da Champions League, sofrendo uma goleada por 1-5 aos pés do Ajax no Estádio de Alvalade. Com ambas as equipas em busca de igualar os três pontos do Borussia Dortmund no topo do grupo C, o ataque de Amesterdão foi demasiado forte para os leões conseguirem lidar, sendo Sébastien Haller o grande destaque da noite, estreando-se na prova milionária com quatro golos assinalados. 

A equipa leonina entrou em campo igual a si mesma, assente num 3-4-4 com Antonio Adán entre os postes, um trio defensivo composto por Feddal, Gonçalo Inácio e Neto (que rendeu o lesionado Coates), Pedro Porro e Rúben Vinagre nas alas, João Palhinha e Matheus Nunes no meio campo e um trio de ataque protagonizado por Jovane Cabral, Nuno Santos e Paulinho. Os neerlandeses, por sua vez, jogaram com Remko Pasveeer na baliza, Lisandro Martínez e Jurrien Timber no centro da defesa, Mazraoui e Daley Blind nas alas, Steven Berghuis, Edson Álvarez e Gravenberch no meio campo, Antony e Dusan Tadic a extremos e Sébastien Haller a ponta de lança.

E que dizer da entrada em falso dos leões? Nem o segundo minuto da partida estava corrido e Alvalade já gelava. Na primeira jogada da partida, Antony partiu pela direita, cortou para dentro, fazendo o que quis de Inácio, e chutou um remate cruzado que foi embater no poste esquerdo de Adán, completamente batido. Quem agradeceu foi Haller, que rapidamente mergulhou de cabeça para encostar o primeiro golo da partida, para mal dos pecados leoninos. O que estava a correr mal passou a correr ainda pior para os pupilos de Amorim quando, aos oito minutos, viram as suas redes balançar por uma segunda vez. Numa jogada que começou com um chutão do guardião de Amesterdão, Antony recebeu o esférico nas costas de Vinagre com todo o espaço do mundo para correr em frente e servir de novo Haller, que aproveitou uma nova falha de Gonçalo Inácio (completamente atrasado na jogada) para bisar na partida, enquanto os jogadores leoninos nem queriam acreditar no que tinha acabado de acontecer.

Numa partida que começou de forma tão desnivelada, nem as lesões deram tréguas aos sportinguistas. Gonçalo Inácio foi obrigado a sair de campo, sendo rendido por Ricardo Esgaio. Com a pressão alta do Ajax, assim como a sua superioridade numérica no miolo a condicionar e muito o jogo do Sporting, que evidenciava claras dificuldades em conseguir criar oportunidades de golo, foi Paulinho que, com sorte à mistura, conseguiu reduzir a desvantagem no marcador. Matheus Nunes foi quem solicitou o avançado português que, sem meias medidas, armou um remate aparentemente de fácil defesa para Pasveer, que estava bem colocado para a defesa. O guardião de 37 anos, no entanto, deixou a desejar na reação ao remate, permitindo que a bola entrasse na sua baliza, para felicidade dos verdes e brancos, que bem precisavam de algo para aumentar os índices de confiança.

Mas desengane-se quem pensou que ainda haveria uma reviravolta no marcador ainda antes do intervalo. Numa nova jogada coletiva pela direita, com novamente Antony em destaque (o extremo brasileiro esteve intratável e expôs com facilidade as debilidades defensivas de Rúben Vinagre), Gravenberch serviu Berghuis que, ganhando espaço entre Esgaio e Neto, bateu Adán com facilidade e estreou-se a marcar com a camisola do Ajax. Ainda antes do intervalo, Feddal ameaçou de cabeça uma nova redução no marcador, mas não teve sucesso, mantendo-se a vantagem neerlandesa de dois golos, num resultado que espelhava bem o quão para esquecer foi o primeiro tempo da defesa leonina.

Com Matheus Reis e Pablo Sarabia a serem lançados ao intervalo por Amorim para os lugares de Jovane e Vinagre (pondo fim ao sofrimento do lateral diante de Antony), mais desilusão aguardava os leões. No regresso ao relvado, o Sporting decidiu dar um pouco do próprio veneno ao Ajax, festejando um magnífico cabeceamento de Paulinho ainda nos primeiros instantes do segundo tempo, num golo que teria reduzido novamente o marcador para apenas um golo de desvantagem… se não fosse pelo facto de o avançado português estar em posição irregular. E, para pôr sal na ferida do leão, Antony voltou a fazer das suas aos 51´, surpreendendo Feddal com um cruzamento em jeito de trivela que foi parar aos pés de Haller (quem mais?), que tratou de carimbar o hat-trick na partida e assassinar as esperanças sportinguistas, pintando o marcador com tons de goleada.

Visivelmente afetado com o carrossel de emoções que foi festejar um golo que não valeu e sofrer outro quase de seguida e, apesar de duas tentativas frustradas de Pedro Porro (uma delas ao poste), o Sporting acabou por não conseguir impedir outro golo neerlandês aos 63´. Haller, desta vez descoberto no meio dos centrais por Mazraoui, festejou assim o poker e selou o 1-5 em Alvalade, perante um Sporting abatido e que já só suspirava pelo fim do jogo.

Com as esperanças numa vitória enterradas bem fundo, o Sporting limitou-se a trocar a bola, sem risco, e aguentar sem sofrer mais até aos minutos finais da partida, atitude à qual o Ajax também correspondeu, tendo feito muito mais do que o necessário para ultrapassar os leões. O Sporting inicia assim a sua caminhada europeia com o pé esquerdo, saindo derrotado pelos homens de Erik ten Hag, que igualam assim o Borussia Dortmund no topo do grupo C, com três pontos somados, em contraste com a equipa verde e branca, que partilha os mesmos zero pontos do Besiktas, derrotado hoje em casa pelos alemães por 1-2.

Fonte da imagem de capa: Twitter @ChampionsLeague

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.