FC Porto empata em Madrid numa demonstração de experiência e disciplina defensiva

O FC Porto é cada vez mais um clube de proa na Champions, desde os anos 90 raramente falhou a qualificação para a competição e nas últimas temporadas cimentou o estatuto de eterno candidato a passar a fase de grupos. Esta experiência e maturidade esteve bem patente na partida desta noite onde, face a um adversário matreiro e exímio no processo defensivo, a equipa portuguesa conseguiu um empate a zeros e podia mesmo ter saído com os três pontos não fosse um final de jogo no mínimo polémico.

Onze completo FC Porto- Diogo Costa, Tecatito Corona, Pepe, Mbemba, Zaidu, Grujic,Matheus Uribe, Luis Diaz, Otávio, Mehdi Taremi e Toni Martinez

Onze completo Atlético Madrid- Oblak, Giménez, Felipe,Mario Hermoso, Marcos Llorente, Kondogbia, Koke, Yannick Carrasco, Thomas Lemar, João Félix e Luís Suarez

No Wanda Metropolitano, Sérgio Conceição promoveu um regresso ao 4x4x2 tradicional, com Zaidu, Grujic e Toni Martinez a voltar ao onze depois de terem ficado no banco em Alvalade, no último sábado. Com estas alterações, Corona e Otávio assumiram a ala direita dos dragões, Grujic e Uribe o meio-campo, enquanto que Taremi voltava a ter o seu companheiro favorito na frente de ataque. Já nos colchoneros, destaque para a primeira titularidade de João Félix esta temporada num 3x4x3 que em processo defensivo variava entre o tradicional 5x2x3, um 4x2x4  com quatro homens a condicionar a primeira fase de construção portista, e um 4x3x3 já que Carrasco muitas vezes subia para apoiar Kondogbia e Koke de forma a estancar a progressão com bola pelas alas.

Lances de perigo na primeira parte foi coisa rara, destacando-se ainda assim um remate de Luis Suárez à entrada da área na passada para uma boa defesa de Diogo Costa a confirmar a boa forma e, na outra área, um remate de Taremi ao lado, depois de uma carambola após um cruzamento de Tecatito, aos 5´ e 7´, respetivamente. Apesar desta jogada, os dragões só conseguiam criar perigo maioritariamente através de transições rápidas iniciadas por Luis Díaz sendo que a mais perigosa aconteceu aos 27´ quando o colombiano intercetou um passe, arrancou em velocidade e fez um passe açucarado para Zaidu, que não consegui rematar já que Kondogbia tirou o pão da boca ao lateral nigeriano no momento certo com um corte inteligente.

Aos 37´, aparentemente por opção, o técnico Diego Simeone promoveu a primeira alteração na partida, trocando Thomas Lemar por Rodrigo de Paul, procurando colocar um jogador com características mais adequadas à posição mais central e entre linhas que o médio francês estava a desempenhar com pouca irreverência. Este foi aliás um jogo bastante ingrato para todos os membros do ataque madrileno, já que nem Suárez nem Félix foram servidos da melhor forma para poderem ter qualquer impacto na partida.

Ao intervalo, Sérgio Conceição realizou uma troca de laterais esquerdos, com Wendell a render Zaidu, para tentar tirar partido das debilidades de Marcos Llorente, médio de origem que estava a jogar a ala direito. Dez minutos depois foi a vez de Pepe sair da partida depois de não ter aguentado um choque ainda na primeira parte, do qual saiu com queixas no peito. A primeira grande oportunidade de golo da segunda parte aconteceu de forma fortuita com Otávio a fazer um cruzamento demasiado largo que esteve perto de entrar na baliza de Oblak mas que acabou por bater apenas no poste da baliza do esloveno. Aos 67´ Diogo Costa defendeu um remate cruzado de Correa e demonstrou mais uma vez que os grandes guarda-redes não precisam de ser testados muitas vezes para demonstrar a sua qualidade já que apesar de ter realizado apenas duas paradas nesta partida, estas foram decisivas para o desfecho do encontro.

Este foi um jogo em que Simeone fez jus ao apelido de “louco”, já que além de continuar a colocar jogadores fora da sua posição de origem destacando-se o caso de Llorente e Carrasco (extremo de formação) nas alas defensivas, ao longo da segunda parte o treinador tirou dois defesas centrais, acabando com um trio de centrais composto por De Paul, Giménez e Kondogbia. É cada vez mais evidentes que o plantel que o técnico argentino tem à sua disposição não tem as características ideias para a sua ideia de jogo.

Este aparente caos tático ia custando caro aos colchoneros quando, aos 78´, Lodi, que até tinha sido o substituto que melhor tinha entrado na partida, quis atrasar para Kondogbia, que fora de posição,  abriu uma clareira na área para Taremi intercetar a bola e desviá-la para o fundo da baliza de Oblak. Contudo, após consulta do VAR o árbitro Ovidiu Hotegan anulou o golo dos dragões por um toque com a mão do avançado iraniano, numa decisão polémica que voltava a restabelecer o empate. O final do jogo foi bem mais animado que o resto da partida já que no último minuto de compensação dado pelo árbitro romeno, Mbemba foi expulso por derrubar Griezmann quando este seguia isolado para a baliza defendida por Diogo Costa. Na marcação do livre correspondente, Suárez este muito perto do golo mas a bola saiu ligeiramente por cima.

Foi assim um jogo em que o empate se ajusta ao futebol defensivo apresentado por ambas as equipas, havendo, ainda assim, mérito na forma como anularam as tentativas do adversário e se foram adaptando as alterações registadas ao longo da partida. Atlético e FC Porto partilham assim os pontos, ficando cada um com um, menos dois que o Liverpool que assumiu a liderança do grupo B depois de ter vencido o AC Milan por três bolas a duas.

Fonte da imagem: jornal A Bola