Sporting de Braga estreia-se na Liga Europa com derrota em Belgrado

O Estrela Vermelha recebeu e venceu o Sporting de Braga por 2-1 na primeira jornada da Liga Europa 2021/2022.

Os primeiros minutos do jogo foram bastante equilibrados com ambas as equipas a repartirem os períodos com bola e a mostrarem bastantes nuances táticas em vários momentos do jogo. O Estrela Vermelha geralmente juntava cinco jogadores (mais o guarda-redes ainda que este não fosse muito solicitado) na saída de bola. Aos centrais e aos laterais baixos no terreno juntava-se geralmente Sanogo para dar vantagem numérica aos sérvios na construção (cinco jogadores contra quatro jogadores do Sporting de Braga, uma vez que era comum ver Lucas Mineiro juntar-se aos três homens da frente para ajudar na pressão). No entanto, após uma saída em apoios curtos, quando ultrapassada a primeira fase de pressão a equipa encontrava-se muito afastada no terreno, pelo que o Estrela Vermelha utilizava a bola mais longa para tentar chegar mais à frente. Esta era frequentemente lançada no corredor esquerdo que acumulava Ivanic, médio interior que deambulava pelo corredor esquerdo e permitindo maior liberdade posicional a Katai.

Já o Sporting de Braga apresentava-se num sistema híbrido, alterando entre um 3-4-3 e um 4-3-3 que, dependendo do posicionamento de Galeno também se desenrolava num 4-4-2. Diogo Leite, central pela esquerda, desempenhava no momento ofensivo o papel de terceiro central, mas sem bola fechava o corredor esquerdo numa linha de quatro. Esta variação tática devia-se à diferença de perfis e de papéis de Fabiano e de Galeno. O ala pela direita ficava sempre mais recuado na primeira fase de construção e era o lateral direito no momento defensivo; já Galeno, muito mais preponderante no momento ofensivo, tinha maior liberdade para ocupar o corredor e libertar Ricardo Horta para posições mais centrais onde o português tem maior raio de ação. Já defensivamente, dependendo do posicionamento não só da equipa do Estrela Vermelha como também de Piazón, ocupava tanto um espaço mais central (na linha dos dois médios), como fechava o corredor. Com bola, Al Musrati era o elemento mais esclarecido do Sporting de Braga e, reconhecendo a influência do médio líbio no jogo coletivo da turma minhota, Ivanic por várias vezes se juntava a Zivkovic.

Se os posicionamentos no terreno e as variações táticas eram visíveis as oportunidades não tanto e o primeiro lance de relevo só aconteceu aos 22 minutos. Um passe de Galeno que tentava isolar Abel Ruiz foi cortado e acabou por isolar Ricardo Horta que rematou por cima da baliza, ficando a sensação de que pegou mal na bola. Este lance surgiu numa recuperação alta no terreno e foi a partir de lances semelhantes que a equipa chegou mais perto da baliza do Estrela Vermelha, o que reflete a dificuldade do Sporting de Braga em ataque posicional. Lucas Mineiro esteve muito apagado da partida, os centrais estiveram muito apagados a nível de participação ofensiva e as poucas iniciativas de Al Musrati que através de passes verticais colocava a bola no meio-campo adversário acabavam por não levar continuidade. Ainda que os homens da frente oferecessem mobilidade, os sérvios estavam bem organizados e controlaram as iniciativas do Braga.

Com o passar do tempo a equipa de Belgrado foi ganhando o tal conforto defensivo e, recorrendo às nuances táticas já referidas anteriormente, foi-se aproximando da baliza defendida por Matheus. Zivkovic teve uma primeira parte bastante apagada, mas quando conseguia recuar no terreno e tornar-se uma opção em apoio, permitia à equipa acelerar (aos 30 minutos por exemplo foi fundamental no lance em que, o passe muito largo de Ivanic, não conseguiu isolar El Fardou Ben Nabouhane).

Aos 45 minutos e após dois lances em que uma receção e um passe errados cortaram as hipóteses de transição o Sporting de Braga desenhou a melhor jogada de todo o encontro. Al Musrati, Abel Ruiz e Ricardo Horta em um ou dois toques isolaram Piazón, mas o drible do brasileiro não resultou e a bola acabou por ser afastada para canto. Na sequência do canto Galeno acabou por rematar ao poste. A dupla oportunidade do Sporting de Braga fechou uma primeira parte a um ritmo muito lento e sem superioridade clara de nenhuma equipa.

A segunda parte começou tal e qual como a primeira se desenrolou. A equipa portuguesa até começou com mais bola, mas não foi capaz de repetir as oportunidades com que fechara a primeira e o pouco gás rapidamente se esgotou.

Aos 60 minutos Ivanic quebrou a monotonia de um jogo marcado por um Estrela Vermelha confortável sem bola frente a um Sporting de Braga sem ideias com esta. À hora de jogo também Katai se soltou mais, aumentou o seu raio de ação e consequentemente a sua influência na partida (especialmente após a entrada de Kristicic aos 65 minutos).

O jogo ia-se arrastando, mas os quinze minutos finais guardaram toda a emoção e os golos. Aos 75 minutos o Estrela Vermelha adiantou-se no marcador. Diony (entrou ainda na primeira parte para o lugar de Ben Nabouhane) apareceu isolado perante a passividade de Paulo Oliveira e obrigou Matheus a aplicar-se. No entanto no canto a equipa sérvia levou ao delírio os adeptos presentes no Estádio Rajko Mitic. Assistência de Kanga e Rodic a ganhar a frente a Al Musrati e a marcar o primeiro golo.

Porém, o Estrela Vermelha nem teve tempo para celebrar o golo pois no minuto seguinte a igualdade seria restabelecida. Perda de bola desastrosa de Sanogo que entregou a bola de bandeja a Galeno. O jogador dos minhotos puxou da esquerda para o meio e rematou para o poste mais distante com a curva a ser suficiente para impedir a defesa de Borjan.

A monotonia do empate a zeros foi substituída pela monotonia do empate a um golo, mas o jogo ainda não estava fechado. Aos 84 minutos Tormena de forma algo desajeitada derrubou um jogador do Estrela Vermelha dentro de área. Katai não tremeu na conversão da grande penalidade e fechou o resultado em 2-1. Ricardo Horta num remate saído de um filme de artes marciais ainda tentou empatar a partida, mas a defesa de Borjan segurou o resultado.

Terminou numa derrota o jogo na Sérvia e o Sporting de Braga neste momento é último lugar no grupo F. O outro jogo que opôs o Midtjylland (próximo adversário da equipa portuguesa) ao Ludogorets terminou com um empate a uma bola.

 

Onze do Estrela Vermelha: Borjan; Gobeljic, Degenek, Dragovic e Rodic; Kanga, Sanogo e Ivanic; Ben Nabouhane, Katai e Zivkovic.

Onze do Sporting de Braga: Matheus; Tormena, Paulo Oliveira, Diogo Leite; Fabiano, Lucas Mineiro, Al Musrati e Galeno; Piazón, Abel Ruiz e Ricardo Horta.

Fonte da imagem de capa: Facebook SC Braga