Mas que espetáculo!-Benfica vence o Barcelona num jogo que fica para a história

Esta noite quando se sentaram nas suas cadeiras para assistir ao Benfica-Barcelona, poucos adeptos dos 30 mil que marcaram presença no Estádio da Luz, imaginavam que iriam assistir a uma das melhores noites europeias da história recente dos encarnados. Uma vitória expressiva por três bolas a zero corou uma exibição personalizada, marcada pela entreajuda, sacrifício e muita inteligência de uma equipa benfiquista que se apresentou toda a um nível altíssimo.

Para esta partida a contar para a segunda jornada do Grupo E da Champions League, Jorge Jesus decidiu seguir a máxima “equipa que ganha não se mexe” e não alterou qualquer peça em relação ao conjunto que bateu o Vitória em Guimarães, no passado sábado. O mesmo não se pode dizer do Barcelona já que Pedri regressou de lesão diretamente para o onze inicial escalado por Ronald Koeman onde se destacava um meio-campo de luxo formado por Busquets, Pedri e Frenkie De Jong, que contrastava com a pouca segurança dada pelos alas tanto na esquerda, por Dest, como pela direita, com Sergi Roberto.

A equipa da casa entrou a todo o gás e ao fim de três minutos já estava na frente do marcador. Darwin foi lançado em profundidade na esquerda, fintou um adversário, cortou para o meio e rematou junto ao poste para o golo, o seu primeiro da carreira na Champions League e Yaremchuk dois minutos depois esteve perto de fazer o mesmo numa jogada semelhante mas o seu tiro saiu fraco e à figura de Ter Stegen. O ataque à profundidade e a procura da velocidade de Rafa e de Darwin foram, antes do jogo, antecipadas como as principais vias para o Benfica explorar as fragilidades da transição defensiva culé e foi exatamente isso que se verificou durante quase toda a partida.

Contudo, nos primeiros 45 minutos de jogo, o Barça, quase sempre por intermédio de Pedri, assumiu o controlo do jogo, com o médio espanhol a assumir a batuta e a conduzir o jogo blaugrana, fosse com variações de jogo para desmontar a defesa adversária, fosse através de aberturas  para o centro da área onde Frenkie De Jong recebia e depois servia o compatriota Luuk que desperdiçou algumas hipóteses para empatar o marcador. Mais tarde, esta movimentação foi corrigida pela linha defensiva das águias que subia coordenada em bloco, deixando os atacantes holandeses em posição irregular.

O crescendo do Barcelona coincidiu com o período mais apagado de Darwin no jogo, após Koeman ter alterado a marcação e colocado Araújo em vez de Eric Garcia a marcar o avançado, dado o conhecimento que o central tinha do compatriota uruguaio, além de ser mais rápido e de defender mais em cima. Já no meio-campo, a equipa procurava aproveitar as fragilidades do avançado na construção através de uma pressão mais intensa para provocar o erro e intercetar os seus passes horizontais para logo iniciar transições rápidas, comandadas por Pedri.

À meia hora,  Piqué, já com amarelo, derrubou Rafa num contra-ataque mas Daniele Orsato perdoou a expulsão ao experiente central, que logo depois foi substituído por Gavi, para evitar um risco semelhante novamente no jogo. Nesta fase, o Benfica saía apenas em transições rápidas, sentido dificuldades em sair a jogar a partir de trás, num estilo de jogo muito físico que acabou por custar a Lázaro a continuidade na partida, acabando por ser substituído por Gilberto, ainda antes do intervalo, por problemas físicos.

Após a vinda dos balneários a história começou a ser contada de maneira diferente, com os portugueses a entrarem mais fortes e pressionantes, com a linha de três do ataque a fixar os três centrais adversários para condicionar a saída de bola. Aos 51´ o placar esteve muito perto de ser alargado quando Ter Stegen saiu de forma pouco pensada à bola com Darwin a antecipar-se e a ultrapassar mesmo o guarda-redes alemão mas em ângulo apertado e a uma distância ainda considerável da baliza, que estava totalmente escancarada, acertou apenas no poste.

O que começava a faltar em pernas e até em coesão entre blocos foi compensada com muito sangre frio, cérebro e um grande apoio das bancadas que pareciam estar cheias, tal era o barulho dos adeptos encarnados que ainda mais eufóricos ficaram nos vinte minutos finais. Aos 68´, Darwin, novamente lançado no espaço, conseguiu colocar rasteiro para a entrada da área onde João Mário combinou com Grimaldo para ficar na cara de Ter Stegen que fez muito bem a mancha mas conseguiu defender a recarga de Rafa, que fuzilou autenticamente a baliza escancarada e deitou a Luz abaixo.

Sete minutos depois, André Almeida cruzou para Gilberto responder com um salto de peixe para a bola que Dest desviou com a mão. Após consultar o VAR, o árbitro italiano apontou para a marca dos onze metros onde Darwin não tremeu e colocou ainda mais cor numa exibição memorável do jogador, dias depois de ter sido criticado pela sua capacidade de decisão no Estádio Dom Afonso Henriques. Já depois de ter saído para o aplauso, o seu substituto, Gonçalo Ramos, ainda conseguiu expulsar Eric Garcia, por acumulação de amarelos, acrescentando mais uma dor à cabeça de Ronald Koeman que mais que deve estar prestes a rolar.

O jogo terminou assim com um resultado expressivo de 3-0, com o Benfica a demonstrar toda a sua qualidade, maturidade e até uma certa matreirice na forma como explorou as fragilidades do adversário durante todos os noventa e cinco minutos da partida. A equipa portuguesa fica assim com quatro pontos no segundo lugar do grupo, antes de receber o Bayern na terceira jornada.

Onze inicial do SL Benfica: Vlachodimos, Vertonghen, Otamendi, Lucas Veríssimo, Valentino Lázaro, Julian Weigl, João Mário, Alex Grimaldo, Rafa Silva, Darwin Nunez e Yaremchuk.

Onze inicial do Barcelona: Ter Stegen, Ronald Araújo, Piqué, Eric García, Dest, Sérgio Busquets,Frenkie De Jong, Pedri, Sergi Roberto, Memphis e Luuk De Jong.

Fonte da imagem de capa: notícias ao minuto