Portugal goleia confortavelmente o Luxemburgo

O Estádio do Algarve foi o palco da goleada de Portugal sobre o Luxemburgo por 5-0. Cristiano Ronaldo marcou o décimo hat-trick internacional da carreira; Bruno Fernandes e João Palhinha marcaram os restantes golos.

Ainda havia adeptos a sentar-se quando se ouviu golo pela primeira vez. Logo aos seis minutos foi assinalado penalti por falta sobre Bernardo Silva. O lance chegou a ser analisado pelo VAR para confirmar a falta dentro da grande área, mas foi mesmo confirmado e Ronaldo marcou o primeiro golo da noite.

O jogo começou com um golo a abrir e era difícil imaginar tal conforto logo nos primeiros minutos. Isto porque aos dez minutos a seleção portuguesa voltou a beneficiar de uma grande penalidade. Após recuperação de bola de Bruno Fernandes no meio-campo, Cristiano Ronaldo percorreu todo o corredor central, entrou na grande área e foi derrubado. O penalti teve de ser repetido por André Silva ter invadido a área, mas o segundo teve o mesmo destino que o primeiro – a baliza – e Portugal ampliou a vantagem.

Se dúvidas houvesse sobre o desfecho da partida, Bruno Fernandes dissipou-as logo aos 18 minutos. A pressão alta de Portugal (destaque para a importância de João Palhinha neste momento) estava a conseguir impedir as saídas do Luxemburgo e foi desta forma que o terceiro golo começou. Recuperação alta de Palhinha que colocou a bola em Bernardo Silva que, partindo da esquerda para o meio arrastou a marcação e permitiu a Bruno Fernandes entrar nas costas da defesa do Luxemburgo para receber a bola e, mesmo de ângulo difícil, fazer o 3-0.

A pressão alta no terreno, aproveitando alguns erros luxemburgueses permitia a Portugal jogar longe da própria baliza. Recuperando rapidamente a bola, o corredor direito era o predileto, com Bernardo a apresentar a habitual mobilidade e capacidade com bola e a permitir as entradas em profundidade de Cancelo e de Bruno Fernandes.

Em ataque posicional, a seleção das quinas também tinha facilidade em ultrapassar a primeira pressão luxemburguesa, tendencialmente individual. Em frequentes situações de 5X4 (vantagem numérica lusa), Nuno Mendes era geralmente o homem que aparecia solto no corredor esquerdo com campo aberto pela frente.

Apesar da clara diferença de qualidade individual entre as equipas e da grande desvantagem logo no início da partida, o Luxemburgo voltou a demonstrar qualidade com a bola nos pés e mostrou novamente que, mesmo sendo uma seleção de terceiro ou quarto plano no continente europeu, o crescimento recente no futebol é sustentado num modelo de futebol positivo e de procura de ter bola. Assim, o Luxemburgo procurava sair em ataque posicional, geralmente em 2+2 (com os dois centrais e os dois médios próximos). Jans, lateral pela direita também procurava ativamente a bola ao passo que Mica Pinto ocupava o corredor permitindo a Gerson Rodrigues aparecer por terrenos centrais para receber a bola. Procurando sempre trocar a bola primordialmente pelo corredor central através de combinações rápidas e jogadas ao primeiro toque, o Luxemburgo superava pressões e aproximava-se do último terço procurando o homem livre (geralmente Mica Pinto no corredor esquerdo). É natural que a diferença enorme de qualidade nos jogadores de ambas as equipas tornava a tarefa luxemburguesa hercúlea e que foram cometidos vários erros, tanto numa primeira fase (gerando algumas situações de contra-golpe) como no último terço, a nível da definição, mas principalmente da execução técnica. No entanto, a seleção luxemburguesa voltou a contribuir para desconstruir o preconceito de que só os grandes jogadores e as grandes equipas podem ter ideias e privilegiar um futebol de posse.

Em ambas as equipas havia também algumas variações nos posicionamentos interessantes. Do lado de Portugal, eram interessantes as trocas entre Ronado e André Silva. No momento defensivo era o avançado do Leipzig que fechava o corredor direito, poupando Ronaldo de muito esforço defensivo. Em transição e de forma natural era André Silva quem continuava no corredor direito. No entanto, em ataque organizado eram frequentes as aproximações de André Silva ao corredor central, permitindo a Ronaldo deambular pelo campo. Já na equipa luxemburguesa era interessante ver como Olivier Thill tinha uma atenção redobrada em Nuno Mendes (que, muito por influência do jogador luxemburguês teve uma primeira parte mais apagada), fechando assim muitas vezes uma linha de cinco e permitindo ao Luxemburgo de forma mais fácil controlar a largura e a quantidade de jogadores portugueses nos últimos metros.

O intervalo trouxe também alterações no ataque luxemburguês. Yvandro e Deville entraram respetivamente para o corredor esquerdo e direito. Sinani que começara como ponta de lança, desceu no terreno para o apoio a Gerson Rodrigues, porventura o jogador mais dotado do Luxemburgo. Mantendo as movimentações de apoio no corredor central, os corredores luxemburgueses passaram a estar mais ocupados e a ser mais solicitados, com Yvandro a destacar-se com vários lances nos quais passa por jogadores portugueses em drible, mas com más decisões/execuções no passe ou remate.

Se o início da primeira parte ficou marcada pela eficácia portuguesa, os primeiros minutos da segunda foram pelo inverso. Nos primeiros 15 minutos e à boleia dos belos cruzamentos de Nuno Mendes, Rúben Dias e Cristiano Ronaldo por duas vezes estiveram perto de fazer o gosto ao pé. Aos 68 minutos, Moris negou aquele que seria um golo de levantar o estádio de Ronaldo. Após receber de peito, o português de bicicleta rematou à baliza para boa defesa do guardião luxemburguês. Porém, no canto que se sucedeu Portugal viria mesmo a marcar num lance em que Moris fica mal na fotografia. Canto de Bruno Fernandes, Moris tenta desviar a bola mas não chegou e Palhinha só teve de cabecear para a baliza vazia.

O Luxemburgo ainda ameaçou um golo de honra por Gerson Rodrigues, mas, já após as estreias em partidas oficiais de Matheus Nunes e de Rafael Leão (importa também destacar a partida número 100 de Rui Patrício), seria mesmo Portugal a marcar o quinto. Cristiano Ronaldo respondeu de forma milimétrica ao cruzamento de Rubén Neves, marcou o terceiro na partida e o nono golo ao Luxemburgo que se tornou esta noite a principal vítima do capitão português.

Com esta vitória, Portugal mantém-se no segundo lugar do grupo A, com 16 pontos a um ponto da Sérvia (também menos um jogo). Independentemente do resultado com a República da Irlanda – partida em que não poderá com Nuno Mendes por acumulação de amarelos – Portugal já sabe também que terá de esperar pela última partida (em casa contra a Sérvia) para celebrar, ou não, o apuramento.

 

Onze de Portugal: Rui Patrício; Nuno Mendes, Rúben Dias, Pepe, Cancelo; Palhinha, Moutinho, Bruno Fernandes; André Silva, Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva.

Onze do Luxemburgo: Moris; Mica Pinto, Carlson, Chanot, Jans; Martins Pereira, Leandro Barreiro; Gerson Rodrigues, Sebastien Thill, Olivier Thill; Sinami.

Fonte da imagem: sharemytactics

 

Fonte da imagem de capa: Twitter@selecaoportugal