Prolongamento necessário para o Benfica derrotar o Trofense na festa da Taça

O Estádio do Clube Desportivo Trofense encheu-se de adeptos para assistir à receção do clube da casa ao Benfica. 2-1 foi o resultado final com o golo decisivo de André Almeida a ter sido marcado no prolongamento.

A partida começou com uma contrariedade para o Trofense. Aos cinco minutos Diedhiou foi obrigado a sair por lesão, entrando Elias Achouri para o seu lugar (por ter sido feita tão cedo na partida, Elias Achouri é o jogador presente na representação gráfica da equipa em campo no fim do artigo).

O início muito forte da equipa da casa ficou marcado pela marcação agressiva e individual à saída de bola do Benfica. Vasco Rocha com Taarabt, Matheus Índio com Pizzi e principalmente Bruno Almeida com Meité condicionavam a ação do meio-campo benfiquista. Embora um central encarnado estivesse sempre livre, a bola era constantemente colocada num dos corredores, gerando várias situações de 1X1, geralmente ganhas pelos jogadores do Trofense.

Com Vasco Rocha a pautar o meio-campo, a decidir os ritmos do jogo e a tratar a bola o Trofense foi ganhando conforto em posse e conseguiu progredir por várias vezes através do corredor central. Aos 15 minutos, numa jogada quase toda em um ou dois toques e pelo corredor central, a equipa da Trofa fez a bola chegar a Bruno Almeida, jogador mais criativo da equipa, que, com tempo e espaço, fez um passe de rutura milimétrico para Elias que marcou golo. Este foi, no entanto, anulado por fora de jogo.

O golo anulado ao Trofense acabou por espevitar o Benfica e, as movimentações de Gonçalo Ramos em apoio acabaram por ser a forma do clube de Lisboa ganhar vantagem. Com encaixes tão individuais dos elementos mais recuados, Gonçalo Ramos recuava no terreno e encostava-se ao corredor direito onde era capaz de receber a bola sem oposição e com espaço para progredir no terreno do corredor direito para o corredor central.

Everton, mais perto da baliza que o português, começou assim a ter oportunidades para visar a baliza. Aos 20 minutos permitiu a defesa a Rodrigo Moura, mas aos 22 o guardião do Trofense não conseguiu evitar o golo de Everton (e à Everton). Partindo da esquerda para o meio, o brasileiro procurou pelo espaço entre os centrais onde a bola poderia passar e, quando o encontrou, desferiu um remate, mais em força que em jeito, que só acabou nas redes da baliza.

Aos 30 minutos, nova substituição por lesão. Gil Dias teve de ser substituído, entrando Lázaro para o seu lugar. A cara nova na ala esquerda em nada influenciou o percurso preferido do Benfica para chegar a terrenos adiantados: Gonçalo Ramos em apoio na direita a permitir a Everton explorar o espaço entre os centrais do Trofense. Foi assim que aos 33 e aos 36 minutos Cebolinha e Taarabt visaram a baliza do Trofense.

Um pouco antes do intervalo estava guardado um dos momentos do jogo que teve em Rodrigo Moura o protagonista. Defesa magistral e em desequilíbrio do guarda-redes do Trofense a responder com o pé a meia altura a um remate de Taarabt que teve a trajetória desviada.

À entrada da segunda parte, nova lesão no Benfica. Lázaro, que entrara para o lugar do lesionado Gil Dias, saiu por lesão. Ferro entrou e André Almeida que atuava como central pela direita, passou a ser o ala esquerdo da formação encarnada.

Se na primeira parte o Benfica frequentemente encontrou espaço para jogar nos últimos 30 metros, a segunda já foi diferente e nem as constantes trocas posicionais de Taarabt e de Pizzi foram capazes de disfarçar os problemas do Benfica em encontrar vantagens com a circulação de bola. Por outro lado, o Trofense volta e meia ameaçava em transição, com as ações individuais de Elias a criarem perigo à baliza encarnada.

Ciente das dificuldades do Benfica com bola, à hora de jogo Jesus fez entrar os pesos pesados titulares. Gonçalo Ramos (o melhor encarnado na primeira parte porventura), Taarabt e Meité deram lugar aos habituais titulares Yaremchuk, João Mário e Weigl. Desde logo foi visível a diferença abismal de qualidade entre Weigl e Meite, com o alemão a assumir o jogo, a ser capaz de resguardar a bola, de reagir rapidamente a tempo de receber passes demasiados curtos dos colegas e a conseguir lançar os homens da frente em profundidade. Porém, nem mesmo as alterações foram capazes de ofuscar as dificuldades coletivas numa segunda parte em que a linha defensiva e a pressão do Trofense estavam muito mais acertadas.

Como demonstrara ao longo do jogo, o Trofense não foi a jogo para ficar a ver jogar e aos 69 minutos a entrada de Bruno Moreira para o lugar de Lionn foi mais uma demonstração da vontade de chegar à área encarnada. Elias Achouri, o elemento mais desequilibrador a nível do drible e do confronto direito desceu no terreno e passou a fazer a ala direita. Se por um lado é certo que ficou mais longe das zonas onde é mais capaz de ter impacto, por outro acrescentou imprevisibilidade na saída de bola e permitiu a Pachu ter outro companheiro que atuasse mais como referência.

Foi com Pachu e Bruno Moreira juntos na área que o Trofense empatou a partida. Aos 80 minutos Bruno Almeida a desenhar a jogada e a descobrir Tiago André livre na esquerda. O ala cruzou para a área e Pachu (que iniciara o contra-golpe ao roubar a bola a João Mário), restabeleceu a igualdade e levou os adeptos ao rubro.

Com o estádio a fervilhar, o Benfica voltou a ter de assumir a bola, mas as dificuldades que foram bem evidentes na última temporada fizeram-se notar novamente. Contra blocos mais baixos os encarnados voltaram a não conseguir criar perigo. Apostando demasiado em cruzamentos que ou saiam demasiado largos ou ficavam na defensiva do Trofense e sobrecarregando Yaremchuk de bolas que o ucraniano recebia dentro de área, mas de costas para a baliza, o Benfica foi previsível e o jogo iria mesmo para prolongamento.

Para o prolongamento Jorge Jesus lançou Radonjic para o lugar de Pizzi, abdicando do terceiro médio e colocando três homens na frente. No jogo de xadrez, o meio-campo do Trofense ganhou superioridade, mas a maior largura do Benfica e o maior número de homens na última linha obrigaram à linha defensiva do Trofense a jogar mais distanciada.

Aproveitando a maior presença de jogadores em terrenos mais adiantados (com os alas a subirem muito no terreno), o Benfica chegou ao golo. Passe fantástico de Weigl que de forma exímia colocou a bola em André Almeida que apareceu livre imediatamente a seguir à linha de meio-campo. Fletindo da esquerda pela direita, o português galgou metros no terreno e, já dentro de área, colocou a bola em jeito no poste mais distante. A bola ainda embateu no poste mas só terminou dentro da baliza defendida por Rodrigo Moura. Rui Duarte, treinador da equipa da casa, acabou por ser expulso na sequência da jogada, por protestos por um possível fora de jogo de André Almeida.

Até ao fim o Trofense fez várias alterações e assumiu o jogo, procurando novo golo do empate. No entanto o cansaço era já visível em ambos os lados. Apesar da vontade, faltou maior capacidade de saber quando acelerar e quando não o fazer por parte do Trofense para chegar com mais perigo à baliza do Benfica. No lado do Benfica Gilberto (que acabou o jogo como extremo para ser poupado de tantas tarefas defensivas) era o rosto visível do desgaste do Benfica (que tem um jogo importante contra o Bayern de Munique a meio da semana).

O jogo viria mesmo a terminar 2-1, numa vitória sofrida por parte do Benfica e que mostra bem a beleza e os desafios proporcionados pela prova rainha do futebol português.

 

Onze do Trofense: Rodrigo Moura; Tiago André, Caio, João Paulo, João Faria, Lionn; Vasco Rocha, Matheus Índio, Bruno Almeida; Diedhiou, Pachu.

Onze do Benfica: Helton Leite; Gil Dias, Morato, Vertonghen, André Almeida, Gilberto; Meité, Taarabt, Pizzi; Everton, Gonçalo Ramos.

Fonte da imagem: sharemytactics.com

Fonte da imagem de capa: Twitter @CabineSport