FC Porto vence Milan sem discussão e aproxima-se da luta pelo apuramento

No Estádio do Dragão o Porto recebeu e venceu o Milan por 1-0. Luis Diaz marcou o único golo de um jogo que poderia ter ganho contornos de goleada.

O remate ao poste de Luis Diaz aos cinco minutos foi um presságio do que seria a partida. Um Porto sempre por cima da partida, com facilidade em criar vantagens, em criar situações propícias ao remate e em rematar à baliza, tanto em transição (como foi o caso do lance), como em construção.

Como tem sido habitual na Liga dos Campeões, Sérgio Conceição preparou uma estratégia que se revelou muito efetiva. Taremi sem bola recuava no terreno e juntava-se a Sérgio Oliveira para pressionar o duplo pivô do Milan, responsável pela saída de bola. Com Tonali e Bennacer fortemente condicionados, a equipa italiana teve grande dificuldade em sair com qualidade desde trás e em ultrapassar a forte pressão do Porto, principalmente no corredor central. Deste modo, a única solução encontrada pelos rossoneri era a bola longa na procura de Giroud como referência. Dada a qualidade do ponta de lança francês neste cenário, a primeira bola era geralmente ganha pelos italianos. No entanto, com os médios longe no terreno e com a superioridade do Porto nesta zona, a segunda bola acabava sempre por ir parar aos azuis e brancos. E, tal cenário era o melhor que o Milan conseguia, uma vez que muitas foram as vezes em que perdeu a bola no próprio meio-campo. Nesta tarefa, além de Taremi e Sérgio Oliveira (já destacados anteriormente), é preciso também realçar o trabalho de Uribe que sobressaiu na partida.

O Porto conseguia colocar muita gente em terrenos mais adiantados, com Wendell e João Mário a subirem no campo e a permitirem a Luis Diaz e a Otávio maior liberdade de movimentos. Se o colombiano tinha assim maior facilidade em encontrar espaços para acelerar em condução, o português deambulava por terrenos mais interiores para arrastar marcações e tabelar com João Mário que via por várias vezes o corredor desimpedido.

Ainda antes dos 30 minutos, começou também a destacar-se outro nome: Mehdi Taremi. Pela positiva, com várias ações de qualidade em apoio, com movimentos muito interessantes e na criação de oportunidades e pela negativa, pelos vários desperdícios. Aos 25 minutos cabeceou ao lado e aos 28 voltou a criar perigo. Partindo muitas vezes de zonas mais recuadas (após os momentos de pressão sem bola), o iraniano apareceu muitas vezes como o jogador da chegada que aparecia à entrada da área para finalizar.

Tais situações foram uma das maneiras prediletas do Porto chegar à área do Milan. Além da superioridade nos corredores onde eram frequentes situações de 2X1 ou de tabelas, o Milan colocava muita gente na área para defender um eventual cruzamento na procura de um avançado. Porém, ter muitos jogadores dentro da área deixava a entrada da área muito desprotegida e vulnerável à chegada de Taremi, Uribe ou Sérgio Oliveira.

Ao intervalo, Wendell (que vinha a ser dos melhores dragões em campo) teve de sair por razões médicas, entrando Zaidu para campo. Embora tenha cumprido na partida, a menor inteligência na tomada das decisões e as dificuldades em se oferecer não só em profundidade, como também no corredor central, foram notórias.

A segunda parte começou tal como a primeira se desenrolou: Taremi criou a oportunidade quase sozinho, partiu da direita para o centro e rematou ao lado. Aos 51 minutos foi Otávio quem rematou à entrada da área, mas Tomori conseguiu executar o corte. Também neste lance, e embora não tenha tocado na bola, foi notória a influência de Taremi com uma simulação que permitiu a Otávio receber a bola sem oposição.

Percebendo a superioridade da pressão do Porto, Pioli procurou alterar a estrutura de saída de bola do Milan, desfazendo o duplo pivô e fazendo subir Bennacer. O Porto foi obrigado a reorganizar a pressão, mas a alteração acabou por não surtir grande efeito uma vez que, não só o Porto se manteve por cima, como ainda aumentou esta superioridade refletida em períodos maiores com bola. Sem Maignan, Florenzi, Theo Hernandez, Kessie, Brahim Diaz ou Rebic o Milan apresentou-se numa versão muito menos competitiva do que a que tem apresentado na Serie A e na Liga dos Campeões (onde discutiu a vitória com Liverpool e Atlético de Madrid). Pouco antes da hora de jogo, o Milan ainda fez entrar Romagnoli, Kalulu e Ibrahimovic para os lugares de Romagnoli, Ballo Toure e Giroud que fizeram exibições bastante discretas quer pelas dificuldades coletivas a nível defensivo, quer pela ausência de soluções no momento ofensivo.

Foi já com as alterações dentro de campo que o Porto finalmente traduziu tamanha superioridade em golos. Aos 65 minutos e após 18 remates o inevitável Luis Diaz marcou o 1-0 e fez os adeptos no Dragão entrar em ebulição. Grande trabalho de João Mário na direita a ultrapassar Kalulu e a cruzar para a área. O primeiro remate de Sérgio Oliveira sai prensado e a bola em balão sobra para Taremi que a ajeitou e parou para Luis Diaz que, na passada, rematou para o fundo das redes. O resultado passou a espelhar o que se passava dentro de campo e o Porto pôde finalmente respirar de alívio.

Após o golo o Porto ajustou-se em campo com as entradas de Vitinha e Corona, passando a apresentar-se num 4-2-3-1 com Otávio a jogar atrás de Taremi. Com vantagem no marcador o Porto passou a gerir o jogo no ritmo que lhe era favorável e o Milan nunca foi capaz de incomodar. Incapaz de recuperar a bola e demasiado previsível, a equipa italiana foi apenas uma convidada para o espetáculo do Porto que, embora não tenha sido muito vistoso, foi aplicado da forma devida. Até ao fim, o jogo foi-se arrastando, com várias paragens e substituições por parte de ambas as equipas. A entrada de Maldini (já vai na terceira geração a família) que deambulava entre o corredor central e o esquerdo permitiu a Rafael Leão assumiu terrenos mais centrais e jogar mais próximo de Ibrahimovic, mas a bola acabava por não chegar ao avançado português, fruto da inofensividade do Milan.

Foi uma vitória convincente do Porto que procura demonstrar que o deslize perante o Liverpool não passou disso e que continua a apresentar um alto nível competitivo na Liga dos Campeões. Em duas semanas as duas equipas encontram-se em Itália com o Porto a tentar o assalto ao segundo lugar que neste momento pertence ao Atlético de Madrid (em igualdade pontual).

 

Onze inicial do Porto: Diogo Costa; Wendell, Mbemba, Pepe, João Mário; Luis Diaz, Sérgio Oliveira, Uribe, Otávio; Taremi, Evanilson.

Onze inicial do Milan: Tatarusanu; Ballo Toure, Tomori, Kjaer, Calabria; Tonali, Bennacer; Rafael Leão, Krunic, Saelemaekers; Giroud

Fonte da imagem: sharemytactics.com

Fonte da imagem de capa: Twitter @FCPorto