Como Joga: West Ham 2021, o terror da elite inglesa

O West Ham parece atingir um novo patamar de qualidade cada vez que entra em campo sob o comando de David Moyes.

Depois de terminarem em sexto na Premier League da temporada passada, os “Hammers” melhoraram mais uma vez e estenderam a sua impressionante forma ao abalar as esperanças  do Liverpool com uma vitória difícil no London Stadium. Para além de estarem apenas a três pontos do primeiro classificado na Liga Inglesa, os londrinos também se classificaram para a fase a eliminar da Liga Europa, faltando ainda dois jogos para terminar a fase de grupos.

O West Ham é atualmente uma equipa a ser temida, capaz de enfrentar qualquer oponente que enfrente esta temporada, uma surpresa para muitos e que só foi possível graças ao esforço e às ideias de David Moyes.

Uma grande frustração para o West Ham e Moyes na última temporada foi o seu recorde contra os tradicionais ‘Big Six’ na Premier League. Os “Hammers” tiveram ótimas prestações na maioria das suas batalhas contra os conjuntos de maior poderio, mas terminaram a temporada sem vencer nenhum deles.

Já nesta temporada, na Premier League e na Carabao Cup, superou quatro delas. Manchester City e Manchester United foram eliminados da Taça da Liga, o primeiro nos penáltis após um empate 0-0, enquanto Tottenham e Liverpool foram derrotados na Premier League. Isto aconteceu devido a uma clara mudança de opinião de Moyes e da sua equipe técnica na forma como abordam os jogos.

Na temporada passada houve críticas de que os “Hammers” recuaram contra os grandes clubes, não mostrando o melhor lado do seu futebol e perdendo chances de fazer algo especial. Nesta temporada, têm sido sempre letais e na hora certa, algo perfeitamente visível no jogo contra os “Reds”.

Normalmente estruturado no sistema tático 4-2-3-1, os comandados de David Moyes começam por se organizar num bloco mais recuado, focando-se simultaneamente em contra-ataques rápidos para apanhar a defesa adversária desprevenida. Na maior parte das vezes, Michail Antonio fez uma curva para fora, movendo-se predominantemente para a esquerda de forma a puxar os defesas com ele.

O apoio ao ponta-de-lança provém dos dois extremos da equipa, Jarrod Bowen e Saïd Benrahma, com o número 10 Pablo Fornals a controlar o ritmo das jogadas ofensivas. Em outros momentos, quando o West Ham consegue sustentar os ataques dos adversários, Fornals avança para a esquerda, com o lateral-esquerdo Aaron Cresswell a subir no terreno para dar mais uma linha de passe e retirar as atenções do criativo espanhol.

Estes movimentos permitem, consequentemente, que Saïd Benrahma explore espaços mais interiores, ao mesmo tempo que Tomas Soucek tem mais liberdade para abandonar as suas funções de médio defensivo e impulsionar a equipa para a frente com a bola controlada, juntando-se assim a Michail Antonio e Jarrod Bowen no ataque. 

Com mais poder de fogo no ataque, procede-se aos cruzamentos de Cresswell ou Benrahma na tentativa de achar as torres da equipa no centro da grande área.  A partir do momento em que o conjunto contrário perde a intensidade inicial, os londrinos tornam-se mais assertivos, tanto na pressão aplicada no meio-campo, como também no número de jogadores que se comprometem a atacar.

Declan Rice envolve-se ainda mais no processo de construção de jogo à medida que o tempo vai passando e Cresswell assume definitivamente o papel de lateral ofensivo, com ordem direta para proporcionar cruzamentos a um ritmo ainda mais frenético. Esta subida do lateral dos “Hammers” obriga também a uma marcação redobrada por parte dos opositores, proporcionando desta maneira mais espaço para os mais tecnicistas fazerem a sua magia.

As constantes incursões ofensivas, por sua vez, obrigam os atacantes da equipa contrária a recuar para ajudar os defesas, sobretudo os extremos que são forçados a cobrir as fragilidades nas laterais. À medida que o jogo avança, podemos inclusive verificar que os elementos do meio-campo do West Ham aproximam-se dos homens da frente, de forma a facilitar a transição para os contra-ataques.

A opção pelo jogo em profundidade revela-se acertada, aproveitando a velocidade e o físico dos seus avançados para explorar o espaço nas costas dos centrais, ao mesmo tempo que não permite oportunidades claras de golo devido à sua muralha defensiva compacta.

Para além da evidente inteligência tática, David Moyes não pode ser acusado, ao contrário de outros treinadores, de não saber qual é o seu melhor onze inicial. Com apenas quatro mudanças no conjunto titular durante toda a temporada na Premier League, o técnico do West Ham fez menos mudanças do que qualquer um de seus colegas da profissão, enquanto nenhum clube usou menos jogadores diferentes do que os londrinos.

11 Habitual: Lukasz Fabianski; Ben Johnson; Kurt Zouma; Angelo Ogbonna; Aaron Cresswell; Tomas Soucek; Declan Rice; Jarrod Bowen; Pablo Fornals; Saïd Benrahma; Michail Antonio.

A falta de trocas fez dos “Hammers” um dos plantéis mais bem organizados da Premier League, com cada jogador a conhecer a sua tarefa e cumprindo-a, ao mesmo tempo  que sabe exatamente o que seus companheiros de equipa vão fazer em todo os tipo de situações.

Há, claro, o risco de uma ou duas lesões serem mais prejudiciais quando tão poucos jogadores foram usados, mas Moyes tem mais recursos aos quais pode recorrer do que na temporada passada e está a equilibrar bem a sua equipa na Europa. Depois de perder os seus primeiros dois jogos domésticos (contra Manchester United e Brentford ), que se seguiram a partidas da Liga Europa, os “Hammers” derrotaram Tottenham e Liverpool poucos dias depois de jogarem numa noite de quinta-feira, demonstrando assim a sua resiliência face ao desgaste.

No final das contas, O West Ham é dos clubes ingleses mais eficientes da atualidade, fazendo frente a qualquer gigante da melhor liga do mundo e, muitas vezes, a retirar pontos a estes mesmos membros da elite do futebol. Uma equipa sólida defensivamente e cheia de raça, baseada no equilíbrio entre a veterania e a irreverência jovial, tem todos os ingredientes para sonhar com os lugares europeus e, quem sabe, acabar no tão desejado top-4 da Premier League.

Fonte da imagem: West Ham United Twitter/@WestHam