Noite histórica em Alvalade: Sporting vence Dortmund e está nos oitavos

Vitória por 3-1 coloca os leões de novo nos 16 melhores clubes da Europa. Pote bisou, Porro marcou e Malen ainda assustou, mas no fim foram os leões a sorrir.

O onze do Dortmund espelhou desde o início algumas diferenças face ao que tem sido hábito no clube orientado por Marco Rose. Desde logo, as ausências de Haaland, Hummels, Reyna, Hazard, Moukoko e Raphael Guerreiro, que até constava da ficha de jogo, mas que teve de ser substituído por Schulz – que até pela ameaça de Porro em profundidade ficava muitas vezes mais baixo na saída de bola – antes do apito inicial. Reinier foi a maior surpresa no onze inicial dos alemães. O brasileiro emprestado pelo Real Madrid atuou (ainda que muito apagado da partida) como um joker, ocupando diferentes terrenos. Após começar mais encostado à esquerda no que parecia um 4-3-3 mais clássico, passou definitivamente para o corredor central atrás de Malen que, ao contrário do jogo contra o Estugarda jogou no centro. Assim, Reus descaiu para o corredor direito, ocupando Brandt o corredor esquerdo, estando a equipa posicionada num 4-2-3-1.

O Sporting começou com o onze base, mas os primeiros minutos mostraram uma postura diferente em relação ao jogo na Alemanha, com o Sporting a pressionar alto e de forma agressiva.

Rapidamente se percebeu que tal não passava de um início a todo o gás dos leões, e foi o Borussia Dortmund quem assumiu a bola. Como é hábito, a equipa de Rose pressionou alto, procurando sufocar a saída de bola do Sporting e evitar que a bola chegasse ao último terço onde são claros os problemas do clube alemão. Além de impedir os períodos de posse do Sporting, o clube alemão também foi capaz de acionar algumas vezes Malen em profundidade ou acumular jogadores no corredor central, obrigando assim Sarabia e Pote a fecharem mais atrás e o Sporting a colocar-se num 5-4-1.

Aos 20 minutos Reus e Brandt, que vinha a ser dos principais elementos do Dortmund, trocaram de lado e apagaram-se do jogo. O Sporting começou a crescer e a tentar sair em transição, mas alguns erros no capítulo do passe ou a nível do posicionamento impediram a equipa da casa de criar perigo.

Curiosamente (e de forma algo previsível, tendo em conta as debilidades defensivas do Dortmund), foi de um erro que saiu o golo do Sporting. À meia hora de jogo Coates a lançar longo, Schulz a falhar tanto no posicionamento como na abordagem e a deixar a bola à mercê de Pote que, na cara do golo, manteve a frieza habitual e não desperdiçou.

Após o golo o Sporting ficou mais confortável no jogo e acentuou o rigor defensivo que tem marcado o percurso de Amorim como treinador do Sporting. Com clara noção de quando pressionar mais alto e de quando baixar o bloco e reduzir o espaço entre linhas o Sporting passou a estar por cima da partida e o segundo golo viria mesmo a surgir ainda na primeira parte.

39 minutos corridos no relógio quando Pote aproveitou uma bola à entrada da área após transição do Sporting para rematar de primeira e marcar um golaço que levou os adeptos à loucura e que passou a colocar provisoriamente o Sporting nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Novamente o suspeito do costume a provar que é capaz de marcar de qualquer forma, de qualquer zona do terreno e com uma frieza só ao alcance dos melhores.

No lance seguinte o Dortmund esteve perto de reduzir. Malen recebeu na profundidade e tirou Adan do lance, mas Gonçalo Inácio impediu a bola de ir para a baliza. Embalada pelos adeptos que criavam um ambiente fantástico em Alvalade o Sporting foi capaz de, cada vez com maior frequência, provocar erros ao Dortmund que se viu numa posição desconfortável e incapaz de explorar os pontos fortes.

A segunda parte marcou o regresso de Brandt e Reus às posições de origem (constantes trocas ao longo da partida) e trouxe Emre Can para o lugar de Schulz. Esta última troca pode ser adjetivada como estranha uma vez que Can é médio de origem e destro. Dentro de campo notaram-se as dificuldades deste em fazer a posição quer no momento ofensivo – sem capacidade para desequilibrar e com notórias limitações no uso do pé esquerdo para cruzar – quer no momento defensivo – recuperação defensiva a passo, erros no posicionamento e abordagens disparatadas.

A segunda parte evidenciou também os problemas apresentados pelo Dortmund na primeira. Quando colocado em situações onde não consegue aproveitar a profundidade e sem Haaland para jogar como referência as soluções ofensivas não iam além de cruzamentos sem grande critério para uma zona onde Feddal, Gonçalo Inácio e principalmente Coates conseguiam resolver sem grande dificuldade. Também as bolas paradas ofensivas foram um recurso do Dortmund embora sem capacidade de criar perigo real.

Ainda assim, e já depois de Sarabia ter ameaçado o terceiro, o Dortmund provocou calafrios em Alvalade num lance prontamente anulado por fora de jogo. No entanto, esta situação acabou por ser um oásis no meio de um deserto de oportunidades (não) criadas por um Borussia Dortmund demasiado dependente das tentativas de Bellingham levar o jogo para a frente.

Defendendo-se bem, o Sporting foi também progressivamente encontrando mais espaço para aproveitar no contragolpe que teve Matheus Nunes em destaque, tanto pela positiva – inúmeras bolas recuperadas pelo português – como pela positiva, fruto dos erros na decisão e no passe que resultavam em perdas de bola. Foi um período do jogo no qual, embora sem tanta bola, o Sporting esteve sempre confortável e mais perto de marcar que de sofrer.

Aos 73 minutos o jogo ficou ainda mais no bolso para os pupilos de Rubén Amorim. Emre Can, claramente destabilizado e a rubricar uma exibição a roçar a mediocridade, agrediu Porro e foi expulso com vermelho direto após uma grande confusão e empurrões entre jogadores das duas equipas.

Se o jogo já corria de feição para o Sporting, 11X10 mais fácil ficou. Aos 80 minutos, novo erro crasso de um jogador do Dortmund. Zagadou, que entrara para o lugar de Pongracic e que neste momento atuava como central pela esquerda num trio de centrais (com Akanji e Meunier), derrubou Paulinho na área e após ver as imagens o árbitro assinalou penálti. Pote ainda permitiu a defesa a Kobel mas na recarga Porro ganhou a frente a Zagadou, que entrou claramente desconcentrado, e cabeceou para o 3-0.

Com o resultado feito e o domínio do jogo, Rubén Amorim ainda foi a tempo de estrear Nazinho que fez o primeiro jogo com a camisola do Sporting. Também Ugarte entrou nesta altura (subindo Matheus Nunes no terreno). Tais substituições ficaram marcadas pelo enorme aplauso a Porro e a Pote, marcadores dos golos leoninos.

No terceiro dos 7 minutos de descontos o Dortmund ainda reduziu por intermédio de Malen naquela que foi uma das poucas falhas defensivas do Sporting, mas a vitória (e o apuramento) viriam mesmo a ser carimbados.

O Sporting é assim a primeira equipa portuguesa a carimbar a passagem para os oitavos de final da Liga dos Campeões (Benfica e Porto têm ainda possibilidade de lá chegar na última jornada), um feito que já não era alcançado desde a época de 2008/2009. Três vitórias garantem o segundo lugar e o último jogo contra o Ajax (já apurado e com o primeiro lugar confirmado) contará apenas para cumprir calendário. Muitos méritos de Rubén Amorim que, após a goleada sofrida contra o Ajax e a derrota na Alemanha, soube identificar os problemas e resolvê-los.

 

Onze inicial do Sporting: Adán; Feddal, Coates, Gonçalo Inácio; Matheus Reis, Matheus Nunes, Palhinha, Porro; Sarabia, Paulinho, Pedro Gonçalves.

Onze inicial do Borussia Dortmund: Kobel; Schulz, Pongracic, Akanji, Meunier; Witsel, Bellingham; Brandt, Reinier, Reus; Malen

Fonte da imagem: sharemytactics.com

 

Fonte da imagem de capa: Twitter @Sporting_CP