Nice trava PSG no Parque dos Príncipes

O jogo a contar pela 17ª do Campeonato Francês terminou empatado a zeros.

O Parque dos Príncipes vestiu-se a rigor para receber o PSG e as suas estrelas. Donnarumma e Messi subiram ao relvado antes do apito inicial para mostrarem os troféus de, respetivamente, melhor guarda-redes e de melhor jogador do mundo e foram ovacionados pelos adeptos parisienses.

Fonte da imagem: Twittter @PSG_inside

Dentro de campo, apesar das várias surpresas ao nível das escolhas por parte de ambos os treinadores, as duas equipas apresentaram-se nos moldes habituais.

Danilo Pereira, primeiro construtor do meio-campo, alternava o posicionamento na saída de bola, mas o mais frequente era ver o português entre os dois centrais do PSG de forma a gerar superioridade numérica na primeira fase de construção. Kimpembe e Marquinhos davam maior largura, o que permitia também aos laterais projetarem-se no terreno. A principal surpresa ao nível do posicionamento era mesmo no trio de ataque, com Mbappé a aparecer no corredor esquerdo (tem jogado maioritariamente no centro do ataque), aparecendo Messi como falso nove.

O Nice apresentou-se no mais que habitual 442 de Cristophe Galtier, numa versão que, tendo em conta o adversário, ainda mais conservadora. A ausência de Gouiri e de Stengs surpreendeu, mas Boudaoui e Kluivert davam mais garantias no momento defensivo que é a prioridade desta equipa do Nice (que é a melhor defesa do campeonato).

Após uma entrada em que ainda tentou pressionar alto, o Nice rapidamente baixou as linhas de forma a reduzir as ameaças na profundidade de Mbappé que procurou sempre as costas de Lotomba para atacar. Porém, após 10 minutos o Nice reduziu o espaço nas costas da linha defensiva, juntou as linhas procurando reduzir o espaço no último terço e ofereceu a bola ao PSG.

Têm sido evidentes as dificuldades do PSG esta temporada quando confrontado com equipas que retiram aquela que é a principal arma dos parisienses: a profundidade. Privado de espaços e obrigado a ter a iniciativa da partida, e tendo em conta os jogadores escolhidos por Pochettino para o miolo – sem a capacidade de passe de Verratti ou Paredes, por exemplo – a bola ia-se arrastando pelo chão, a uma velocidade lenta e demasiado previsível. Por outro lado, o Nice quando a recuperava procurava rapidamente um dos homens da frente para, de forma rápida e sem grande elaboração, chegar à baliza defendida por Donnarumma, como é exemplo o primeiro lance de perigo protagonizado por Dolberg. A transição do Nice era ainda mais facilitada não só pelo trabalho reduzido dos três homens da frente, como também pela recuperação algo lenta tanto de Gueye como de Dina Ebimbe.

Ainda que algo afastado do jogo, Mbappé – que rubricou uma má exibição – teve nos pés a primeira grande oportunidade do jogo. Aos 27 minutos após uma perda de bola do Nice em terrenos proibidos, o francês teve a oportunidade de visar a baliza, mas Benitez defendeu a dois tempos.

A primeira parte decorreu sempre nos contornos previamente referidos: o PSG com bola mas quase sempre sem saber o que fazer com esta e o Nice, muito competente defensivamente a procurar sair rapidamente para o ataque (destaque para a importância do jogo de costas dos dois avançados, principalmente Dolberg).

Aos 32 minutos uma transição rápida por parte do Nice gerou aquela que foi a melhor oportunidade da primeira metade da partida. Uma perda de bola de Dina Ebimbe gerou um contra-ataque para a equipa do sul de França. Muito vertical e com os olhos da baliza, o Nice rapidamente chegou às imediações da área parisiense onde apareceu Delort para cabecear sem oposição, respondendo ao cruzamento de Boudaoui. Foi mais forte Donnarumma que defendeu para canto.

A segunda parte começou mais aberta, com ambas as equipas a criarem várias oportunidades nos primeiros vinte minutos do segundo tempo. O Nice deixou mais espaço nas costas da defesa mas o PSG encontrou uma parede chamada Todibo que fez mais uma exibição de grande nível esta temporada a controlar a profundidade.

Aos 50 minutos o Nice provou do próprio veneno. Após sair em transição a equipa de Galtier desprotegeu-se e deixou espaço atrás que foi aproveitado na resposta parisiense. Uma tabelinha entre Messi e Mbappé deixou o francês com campo aberto para correr e este foi capaz de isolar Di María. No 1X1 com Benítez o guarda-redes argentino foi mais forte, reduziu o tamanho da baliza após uma rápida saída e travou o remate do compatriota.

A resposta do Nice surgiu oito minutos depois quando Dolberg desperdiçou a oportunidade do jogo de forma escandalosa. As oportunidades do Nice na partida partilham características comuns: serem em número reduzido e flagrantes. O contra-ataque é conduzido de forma perfeita por Kluivert que resiste ao choque com Danilo (que inclusivamente estava amarelado) e deixou a bola em Delort. Sem ângulo para o remate o argelino foi capaz de segurar a bola e de variar o jogo para Boudaoui que conseguiu cruzar a bola para a cabeça de Dolberg. Com a baliza aberta pela frente o dinamarquês conseguiu fazer o mais difícil e acertou no poste para lamento dos adeptos da equipa visitante.

Aos 64 minutos surgiu a resposta parisiense, num lance que corrobora a afirmação de que Mbappé teve de facto um jogo desinspirado. Isolado por Messi – que embora com mais uma exibição apagada foi a espaços espalhando magia – o francês atirou ao lado.

Após este lance o jogo voltou a acalmar e a voltar ao ritmo da primeira metade, tendo as substituições em ambas as equipas começado a acumular-se. Verratti procurou oferecer critério ao PSG em espaços curtos, algo que Dina Ebimbe – pelas limitações técnicas quando confrontado com a necessidade de manter a bola colada ao pé – não estava a ser capaz de oferecer; já no Nice Lemina, visivelmente cansado após uma boa exibição, e Kluivert deram lugar a Thuram e Stengs, um neerlandês muito atrevido e capaz de criar perigo com a bola no pé.

À entrada do quarto de hora final Di María com um remate à entrada da área teve a última oportunidade do encontro. A seguir foi substituído por Icardi, um jogar de área e que levou o PSG a procurar também cruzamentos como caminho para chegar ao golo. Também Paredes entrou para o lugar de Kimpembe, fazendo Danilo recuar no terreno para a posição de defesa central. Importa destacar a excelente exibição do português (talvez a melhor da temporada) como médio responsável pelo equilíbrio de uma equipa constantemente desequilibrada e por várias recuperações de bola em terrenos avançados, impeditivas de saídas rápidas por parte do Nice.

Não obstante o contentamento com um empate contra o todo o poderoso PSG, Galtier fez entrar Gouiri para os minutos finais, procurando o forcing pelo golo da vitória. O melhor jogador da temporada dos Aiglons entrou para o lugar de Boudaoui (no corredor esquerdo desde a entrada de Stengs) e formou com o neerlandês uma parelha criativa e desequilibradora nos corredores.

O Nice deu assim uma imagem mais atrevida. Porém, apesar do jogo mais dividido a superioridade em termos de bola continuou a ser do PSG que, no entanto, foi incapaz de criar perigo.

O jogo terminou mesmo 0-0, um resultado que, pelas características das duas equipas, não tem nada de surpreendente. Acaba também por não ser um resultado penoso para nenhuma das equipas. O PSG continua em primeiro e bastante distante do segundo lugar – são 12 pontos de vantagem sobre o Marseille que tem um jogo em atraso – e o Nice, face aos deslizes do Lens e do Rennes continua bem vivo na animada luta pelo segundo lugar de acesso direto à Liga dos Campeões.

 

Onze inicial do PSG: Donnarumma; Nuno Mendes, Kimpembe, Marquinhos, Hakimi; Dina Ebimbe, Danilo, Gueye; Mbappé, Messi, Di María.

Onze inicial do Nice: Benitez; Bard, Dante, Todibo, Lotomba; Kluivert, Lemina, Schneiderlin, Boudaoui; Dolberg, Delort.

Fonte da imagem: sharemytactics.com

 

Fonte da imagem de capa: Twitter @PSG_inside