Benfica vs Sporting: no reino da Águia, prevaleceu o rugido do Leão

Benfica e Sporting, o dérbi dos dérbis.

Este é dos maiores espetáculos do futebol português, ainda para mais numa altura em que os dois clubes de Lisboa estão separados apenas por 1 ponto na luta pela liderança do campeonato. Nenhum dos rivais podia dar-se ao luxo de perder pontos nesta jornada, até porque ambos entraram em campo já sabendo da vitória confortável do FC Porto frente ao Portimonense, no Algarve.

Na primeira vez em que visitou o Estádio da Luz com público desde que se tornou treinador dos “leões”, Rúben Amorim não pode contar com diversos jogadores importantes. Palhinha, Jovane e Rúben Vinagre falharam a presença no encontro devido a lesão, enquanto Coates ficou de fora por ter testado positivo à covid-19.

Jorge Jesus, treinador do Benfica, não teve à sua disposição Diogo Gonçalves, Lucas Veríssimo, Rodrigo Pinho e Nemanja Radonjic, todos lesionados.

Relativamente ao último jogo, o técnico dos “encarnados” relegou Seferovic para o banco de suplentes, com Everton a juntar-se a Darwin e Rafa na frente de ataque. De resto, a equipa da casa manteve o seu habitual 3-4-3, sem prescindir da adaptação de André Almeida à posição de defesa central.

Do lado dos visitantes, Amorim fez quatro alterações, face à partida anterior: Feddal, Porro, Ugarte e Matheus Reis nos lugares de Coates, Esgaio, Palhinha e Nuno Santos, titulares frente ao Tondela. De referir que, nos dois confrontos  anteriores (como técnico leonino) saiu derrotado do terreno do Benfica: 2-1 em 2019/20 e 4-3 em 2020/21.

Verificou-se rapidamente que este seria um jogo muito intenso, pois logo no primeiro minuto, os ânimos aqueceram na Luz. Feddal entrou com tudo sobre João Mário, vendo amarelo e depois Paulinho também foi amarelado por protestos.

A formação leonina entrou muito pressionante e bastante agressiva na luta a meio-campo, castigando constantemente João Mário, antigo colega de equipa na época passada. As “águias” claramente foram surpreendidos pelo arranque do Sporting e rapidamente sofreram as consequências.

Com somente 8 minutos de jogo passados, assistiu-se a uma grande jogada pelo lado direito. No seguimento, Pedro Gonçalves levantou para Sarabia e o espanhol, de primeira, atirou sem hipóteses para Vlachodimos, fazendo o 0-1. A resposta dos comandados de Jorge Jesus ao início frenético do adversário foi positiva, só não conseguindo empatar devido à ineficácia de Grimaldo no cabeceamento  e à cerimónia de Everton na altura do remate.

À medida que o Benfica tinha mais posse de bola, o campeão nacional procurou os contra-ataques rápidos por meio de Pote, que muitas vezes recuava até ao meio-campo para dominar e arrancar com a bola dominada, causando estragos do lado contrário. Defensivamente, muita solidez por parte do trio selecionado pelo treinador leonino, com os médios e os avançados a obrigarem a sucessivos passes errados por parte da zona mais recuada dos “encarnados”.

Aos 38 minutos, Sarabia recebeu na frente, temporizou, e depois serviu o remate de Pote, que embateu no poste direito. No seguimento, outra vez Pote, desta feita com o pé esquerdo, a atirar o esférico ligeiramente por cima da trave.

Já em cima do intervalo, os adeptos leoninos que se deslocaram até à Luz voltaram a festejar, contudo o golo de Paulinho foi anulado pelo VAR devido a posição irregular no momento do passe de Sarabia. A primeira parte terminou com um Sporting mais perigoso, em comparação com um Benfica pouco acutilante nas trocas de bola e com sérias lacunas criativas no setor ofensivo.

No segundo tempo, Jesus tirou Lazaro e fez entrar Yaremchuk. O desenho tático permaneceu intacto, com Everton a trocar de flanco e Darwin a descair para a esquerda no ataque. Por sua vez, Rúben Amorim foi obrigado a colocar Esgaio no lugar do lesionado Feddal.

Apesar das mudanças, o jogo só regressou ao frenesim habitual a partir da hora de jogo.

Darwin cabeceou ao ferro da baliza sportinguista e João Mário permitiu a defesa do guarda-redes do Sporting, naquele que parecia ser o melhor período do Benfica na partida. Mas enquanto a equipa da casa não conseguia colocar a bola no fundo das redes, o rival foi tudo menos perdulário.

A passe de Matheus Nunes, Paulinho picou a bola por cima do guardião encarnado para fazer o 0-2 aos 62 minutos. Pouco depois, bola nas costas da defesa encarnada, Matheus Nunes ganha espaço e na cara de Vlachodimos, não perdoa, castigando de forma pesada o falhanço incrível de Rafa momentos antes.

O melhor que as “águias” conseguiram fazer foi reduzir o resultado para 1-3 através do tento de Pizzi. Escusado será dizer que não foi suficiente para atenuar a desilusão dos adeptos benfiquistas.

No final, vitória do Sporting e lenços brancos direcionados a Jorge Jesus, numa noite de sonho para o detentor do título nacional.

Fonte da imagem: Maisfutebol Twitter/@maisfutebol