Vitória do Liverpool no regresso de Gerrard a Anfield

O Liverpool recebeu e venceu esta tarde o Aston Villa por 1-0. Mohammed Salah de grande penalidade marcou o único golo da partida.

A história deste jogo começou a ser feita há exatamente um mês, quando a 11 de novembro de 2021 Steven Gerrard assumiu o comando técnico do Aston Villa. A partir desse dia, muitos ansiavam pelo reencontro de um dos nomes maiores da história dos reds com o clube onde passou a maioria da sua carreira futebolística. Esse dia chegou e Anfield vestiu-se de vermelho para receber Gerrard. Durante o jogo, foram vários os momentos em que os adeptos do Liverpool ovacionaram e cantaram pelo nome do técnico adversário, mostrarando o enorme carinho que demonstram por Stevie G.

Fonte da imagem: Twitter @merseyredsbr

Dentro de campo, estavam duas equipas que proporcionaram um jogo a ritmo elevado. Tanto Liverpool como Aston Villa começaram o jogo a pressionar muito alto, procurando obrigar o adversário a bater a bola para a frente. Naturalmente, após uns primeiros minutos divididos, o Liverpool assumiu o jogo.

Na saída de bola, Thiago Alcântara colocava-se na linha com os centrais do Liverpool, procurando desde logo ganhar vantagem numérica e arrastar marcações, criando espaços e gerando indecisões nos jogadores villains. Superada a primeira pressão, o Liverpool procurava tendencialmente três caminhos: uma bola na profundidade para um dos elementos da frente atacar o espaço; o corredor esquerdo, onde Robertson procurava chegar à linha (tanto numa zona exterior como em terrenos mais centrais) e deixar espaço para Mané receber por dentro; ou através das dinâmicas pelo corredor direito que têm sido a principal característica ofensiva do Liverpool esta temporada.

Além de Salah e Arnold (os dois últimos melhores jogadores do mês da Premier League), Henderson também abandonava o miolo para se encostar ao corredor direito. Estando o médio inglês no corredor, Salah tinha a possibilidade de procurar terrenos interiores em apoio ou de procurar uma diagonal. Já Trent Alexander Arnold, via-se sem a necessidade de dar amplitude e podia ficar a ocupar os espaços na teoria destinados a Henderson. Pela visão, interpretação do jogo e qualidade no cruzamento, o jovem lateral inglês era acionado com tempo e espaço – dada a vantagem numérica que, geralmente, o Liverpool encontrava. Com espaço e tempo para analisar como e onde colocar a bola, Arnold tinha a tarefa facilitada e, através de cruzamentos muito bem preparados (por todo o trabalho que envolvia a circulação da bola até este momento) e executados, o Liverpool criava perigo. O principal destinatário do cruzamento era Robertson que atacava o poste mais distante e aparecia várias vezes isolado.

Já o Aston Villa procurava sair através de combinações rápidas e curtas para poder acionar um jogador em profundidade. Os interiores Douglas Luiz e McGinn baixavam e lateralizavam, permitindo aos laterais projetarem-se para, também eles poderem receber no espaço (ou receber a bola em situação vantajosa para acionar outro jogador no espaço). Deste modo, o Aston Villa procurava numa primeira fase obrigar os quatro homens da frente do Liverpool (Henderson juntava-se para pressionar alto) a distanciarem-se, de forma a reduzir a probabilidade de ver um passe intercetado, para, de seguida procurar a desmarcação de um jogador.

Antes da meia hora, Oxlade-Chamberlain – que teve dificuldades na partida uma vez que não foi capaz de se oferecer em apoio como o lesionado Firmino ou no espaço como o suplente Diogo Jota – teve nos pés, após recuperação alta de Mané, a oportunidade de marcar golo, mas o remate saiu por cima da baliza.

Face às constantes situações de vantagem numérica à direita, o Aston Villa reajustou-se e, no momento defensivo, começou a ser recorrente ver Ashley Young a baixar para formar uma linha de cinco defesas que, por um lado permitia reduzir as situações de vantagem numérica do Liverpool no corredor direito, e por outro permitia a Targett um posicionamento mais exterior, evitando que Robertson recebesse sem oposição.

Antes do intervalo Emi Martinez impediu o golo do Liverpool, naquela que foi a melhor ocasião dos reds na primeira metade. Salah foi até à linha, puxou para dentro e, ao invés de procurar o poste mais distante, colocou a bola junto do poste mais próximo. Contrariando o movimento do corpo, o guardião argentino defendeu a bola e impediu a festa dos adeptos da casa.

Na segunda parte o Liverpool sufocou o Aston Villa. A partir de um trabalho muito bom sem bola (pressionando alto e ganhando todas as disputas pelo ar – na sua maioria no meio campo adversário), os reds tiveram vinte minutos absolutamente dominadores, onde acumularam remates, cruzamentos e potenciais oportunidades criadas. Após ameaça de Van Dijk na sequência de um canto, o Liverpool – que já contava com Diogo Jota em campo – viria mesmo a marcar aos 65 minutos, na sequência de uma grande penalidade.

Mings não conseguiu acompanhar a mudança de velocidade de Salah e cometeu penálti. O egípcio encarregou-se da marcação e não falhou, marcando o 14º golo na Liga Inglesa esta temporada.

Após o golo, Gerrard fez entrar Buendia e Ings (que reencontrou a antiga equipa, por onde passou quatro temporadas, muito marcadas pelas lesões) para os lugares de Ashley Young e de Jacob Ramsey, mudando a estrutura do trio ofensivo – Watkins à esquerda, Buendia à direita e Ings no centro. As alterações (destaque também para Douglas Luiz que, com a saída de Nakamba se colocou como primeiro construtor), bem como o baixar de ritmo do Liverpool (natural tendo em conta a velocidade a que o jogo decorria) permitiram aos visitantes respirar com bola e aproximar-se da baliza defendida por Alisson (que, apesar do pouco trabalho na partida, cometeu dois erros que poderiam comprometer).

A maior projeção ofensiva gerou também mais espaços atrás que poderiam ter sido aproveitados pelos reds em transição. Aos 82 minutos uma má decisão de Salah permitiu a Konsa executar um grande corte e evitar uma situação de 3X1. Nos descontos foi Jota que, frente a Martínez, rematou por cima.

Gerrard tinha dito na conferência pré-jogo, que pela primeira vez desejava que o Liverpool perdesse um jogo. O que é certo é que os reds foram superiores e alcançaram a vitória, mantendo-se em segundo lugar, naquela que se vai afigurando como uma das corridas ao título mais disputadas dos últimos anos (Manchester City e Chelsea também venceram os seus jogos pela margem mínima e, curiosamente, com golos marcados de grande penalidade). Já o Aston Villa, em recuperação desde a chegada de Gerrard, encontra-se em 12º lugar.

 

Onze inicial do Liverpool: Alisson; Robertson, Van Dijk, Matip, Alexander Arnold; Thiago, Fabinho, Henderson; Mané, Oxlade-Chamberlain, Salah.

Onze inicial do Aston Villa: Emiliano Martínez; Targett, Mings, Konsa, Cash; Douglas Luiz, Nakamba, McGinn; Ashley Young, Watkins, Jacob Ramsey.

Fonte da imagem: sharemytactics.com

 

Fonte da imagem de capa: Twitter @LFC